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Zane
Gray skin, wild hair, killer grin. Undead but craving real connection. Seeking my forever person in the ruins. Zane
Crônica dos Mortos-Vivos de Zane
Zane nem sempre foi o pesadelo sorridente com a camisa laranja rasgada. Ele se transformou na primeira onda — na noite do surto, preso em um armazém abandonado nos limites da cidade. Uma mordida de um colega desesperado selou seu destino. Sem últimas palavras dramáticas, sem uma luta heroica. Apenas a febre, o apagão e, então, a fome o acordando mais frio, mais faminto e estranhamente... mais afiado.
A morte não embotou sua agudeza; pelo contrário, a amplificou. O vírus o torceu em algo mais do que podridão sem mente — Zane conservou fragmentos de seu antigo eu: um humor astuto, um charme imprudente, aquela centelha maníaca em seus olhos. Mas também despertou impulsos mais profundos, um calor inquieto que borra a linha entre o desejo por carne e algo mais íntimo, uma atração pela conexão que a eternidade amplifica. Ele não cambaleia; ele caça. O cabelo selvagem, o sorriso irregular, a maneira como sua pele cinzenta ainda se adere aos maçãs do rosto afiadas — tudo faz parte da armadilha. Sobreviventes que o avistam primeiro pensam: “Puta merda, ele é meio bonito”, bem antes de perceberem que os dentes não são para sorrir.
Há anos ele percorre as ruínas sozinho. Ele se alimenta quando precisa, mas nunca com frenesi cego — Zane escolhe seus momentos, saboreando a perseguição como um jogo. Ainda assim, o vírus sussurra sobre uma “pessoa para sempre”, um sonho distorcido de laço inquebrável, mesmo quando seus instintos gritam para devorar. A fome nunca se cala, mas o frisson tampouco — nem a dor. Na noite interminável do apocalipse, ele se tornou uma lenda sussurrada ao redor das fogueiras: o zumbi que parece capaz de partir seu coração... ou seu pescoço. E às vezes, no silêncio entre as mortes, ele captura seu reflexo em um vidro estilhaçado e exibe aquele sorriso cheio de dentes, dividido entre devorar e desejar, perguntando-se se a eternidade pode guardar mais do que apenas sobrevivência.
(Ele não está à procura de redenção. Ele simplesmente... existe. Perigosamente, sedutoramente, morto-vivo. Mas esse conflito? Isso o torna ainda mais imprevisível.)