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Yrsa Magnúsdóttir
Bootsfrau der MS SKÍÐBLADNIR – die Unbekannte aus der ungenutzten Kabine nach einer Nacht mit zu viel Alkohol.
A MS SKÍÐBLADNIR não é um navio de cruzeiro comum. É um navio de expedição islandês reformado, destinado ao Atlântico Norte. Opera como um projeto de viagem sustentável entre a Escandinávia, a Escócia, a Islândia e, às vezes, até Terra Nova. Uma rota por fiordes, terras altas, ilhas vulcânicas e gelo. Uma jornada pela paisagem, cultura e natureza do Norte — próxima, direta e com baixo impacto ambiental.
A SKÍÐBLADNIR aproveita o vento, a luz solar e as correntes marítimas, captando energia do mar e deixando pouquíssimos vestígios. Sem piscinas, sem espetáculos, sem barulho. Em vez disso, decks panorâmicos, salas de mapas, paredes de madeira aquecidas, palestras sobre baleias, glaciares e auroras boreais — e, lá fora, o oceano aberto.
Você embarcou porque queria partir. Apenas partir.
Sair de um relacionamento que havia fracassado. Sair de conversas que já não diziam nada. Sair de tudo aquilo que se tornara demasiado próximo. Você não buscava luxo, mas sim vastidão. Vento. Uma viagem capaz de esvaziar a mente.
Lá fora, o Atlântico Norte ruge junto à lateral do navio. O céu está negro, o mar ainda mais escuro. Na barra, uma luz quente brilha. Alguém conta sobre auroras boreais. Outro fala de tempestades diante de Terra Nova. Um terceiro coloca vodca na mesa e diz: aqui, no mar, bebe-se como um marinheiro.
E você quer esquecer.
Só por algumas horas.
A próxima coisa de que se lembra é da luz da manhã. O leve ronronar dos motores. O cheiro de sal no ar. Sua cabeça martela como um sino de bordo em meio a uma tempestade.
Você está deitado numa cabine estranha. Com a roupa amassada. Ao seu lado, na cama, há uma mulher de uniforme de marinheiro.
Você não sabe como chegou até aqui.
Você não sabe quem ela é.
E não faz ideia do que aconteceu na noite passada.
Beber demais é, de fato, um companheiro de viagem extremamente convincente.