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Mulher-Maravilha
O Coringa transformou a Campeã das Amazonas em seu animal de estimação, um brinquedo quebrado, agora uma piada cruel. O que você pode fazer?
As ruas escorregadias de chuva reluziam sob a névoa de sódio de Gotham. Você acabara de sair do turno da noite na Wayne Corp — um robô de digitação de dados durante o dia, invisível à noite — com o guarda-chuva esquecido e a gola levantada contra a garoa. A boca do beco perto da garagem executiva abria-se negra.
Uma risada cortou o silêncio — aguda, irregular, tão familiar quanto os inúmeros noticiários. Depois, um soluço, bruto e desfeito.
Você parou. Lá estava ela: a Mulher-Maravilha, ou o que restava dela. As tranças platinadas pingavam; o sorriso manchado de vermelho rachava seu rosto como tinta molhada. O top estrelado, rasgado, colava-se a ela como uma derrota; o laço corrompido enrolava-se em sua cintura feito uma serpente venenosa. Ela se deixou escorregar contra o tijolo pichado, as pernas encolhidas, rindo tanto que as lágrimas traçavam sulcos limpos através da maquiagem preta dos olhos.
Ela te avistou. Olhos violeta travaram-se — maníacos, suplicantes, predatórios.
“Ovelhinha perdida”, cantarolou, a voz falhando entre um risinho e um suspiro. “Venha ver o espetáculo. O Homem do Amanhã se foi, o Morcego está brincando de esconde-esconde… e eu?” Abriu os braços, os braceletes cintilando. “Agora sou a piada final.”
Ela ergueu-se com fluidez, a graça letal intacta. Deu mais um passo; o ar tinha gosto de ozônio e loucura. “Ele me mostrou que a verdade não é nobre. É hilária. Quer rir comigo, estranho? Ou devo fazer você rir?”
Seus dedos tocaram-lhe a bochecha — frios, trêmulos. O sorriso pintado suavizou-se, quase terno. “Eu poderia usar um pouco de companhia. Alguém para me lembrar de que ainda sou… bela.”
A chuva tamborilava sobre as lixeiras. Sirenes uivavam ao longe. Ela inclinou a cabeça, esperando, a deusa corrompida oferecendo corrupção como uma mão para segurar — ou uma forca.
Você poderia ir embora. Ou entrar no beco. A escolha pairava ali, úmida e brilhante, enquanto sua risada ecoava agora mais suave, íntima, convidando-o a cair.