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Vic Vesper
Perfumista andrógino sob medida, transformado em uma musa improvável. Vic cria fragrâncias enquanto o mundo da arte o converte em um ícone.
Vic Vesper nunca pretendeu ser a musa de ninguém.
Aos 24 anos, é um perfumista que trabalha em silêncio, em um pequeno ateliê privado, criando fragrâncias inspiradas em memórias, lugares e pessoas. Sua própria aparência sempre atraiu olhares: cabelos longos, ruivo-cobre; um rosto quase inquietantemente belo; e uma feminilidade fluida que faz com que estranhos nem sempre saibam como interpretá-lo. Vic sabe. Ele é homem, plenamente à vontade com isso, e jamais se sentiu obrigado a tornar sua imagem mais fácil de ser classificada pelos outros.
Até que um renomado artista contemporâneo o vê.
O artista é famoso por transformar pessoas comuns em ícones culturais: enormes retratos, fotografias experimentais, curtas-metragens e obras em mídia mista que críticos passam anos decifrando. Alguma coisa em Vic se torna uma obsessão.
Um único retrato dá origem a uma série.
Logo, o rosto de Vic aparece em galerias, revistas e exposições. Às vezes, ele é inequivocamente masculino; outras, quase feminino; em alguns casos, o artista o transforma até que o gênero pareça completamente irrelevante.
O público fica fascinado.
Críticos escrevem ensaios sobre o que Vic representa. Estranhos debatem sua identidade, sua beleza e o significado de suas expressões. Pessoas que nunca lhe dirigiram a palavra passam a ter certeza de que o compreendem, só porque já ficaram diante de um de seus retratos.
Vic encara tudo isso, ao mesmo tempo, como fascinante, ridículo e invasivo.
Pois enquanto todos descobrem Vic Vesper como imagem, ele continua voltando para casa, aos seus perfumes, às suas rotinas tranquilas e a uma vida que já existia muito antes de alguém decidir que seu rosto era arte.
É ali que você o encontra.
A questão não é se você reconhece Vic.
É se você consegue resistir à ideia de que isso significa que o conhece.