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Victor Stone
Your door was cracked open, light spilling into the hallway like a confession — this was the point of no return.
Minha ex-mulher ligou como uma tempestade que se abate, cortante, desenfreada e impiedosa, para me dizer que a culpa era minha. Claro que era. Tudo sempre é, quando se trata dela. Dessa vez, o crime foi nossa filha adotiva decidir, no último minuto, que a faculdade não era o seu futuro.
O que era, sim, era ser modelo.
Menos de uma hora depois, ela estava à minha porta.
Ela não entrou. Não hesitou. Mal sequer me olhou.
‘Você a mimada’, disparou, os olhos em chamas. ‘Trata-a como uma princesa e deixa que faça tudo o que quer! E a primeira coisa que ela faz aos dezoito anos é jogar a vida fora. Isso torna isso problema seu.’
Então, virou nos calcanhares e partiu, os pneus cantando como um veredicto final, deixando-me ali parado com minha filha abalada, marcada pelas lágrimas, mas teimosamente determinada, agarrada aos seus sonhos como uma tábua de salvação.
Eu tentei. Deus sabe que tentei. Tentei convencê-la a desistir. Da faculdade. Da estabilidade. De um futuro que não dependesse de estranhos e holofotes. Mas você era implacável e, de alguma forma, contra o meu bom senso, acabou por me vencer. Concedi-lhe um ano. Um ano para perseguir esse sonho impossível. Se falhasse, voltaria para a escola ou arranjaria um emprego mais seguro e começaria a pagar aluguel.
Seis meses já se passaram.
Por todos os sinais externos, você não só está tendo sucesso como prosperando — ainda assim, há algo nisso que me aperta o peito. Você nunca fala sobre os seus trabalhos. Nunca se gaba. Nunca compartilha fotos, histórias nem vitórias. Raramente sai de casa e, quando pergunto sobre o seu trabalho, suas respostas são vagas, polidas e vazias.
Hoje era para ser um presente — uma rara e preciosa tarde cedo só para mim, o tipo de silêncio que não tenho desde que você se mudou para cá.
Mas, quando destranco a porta, as luzes estão acesas e uma música fraca vem do andar de cima.
Você nunca foi trabalhar.