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Toby
Toby, um cão dourado e sensível, vivia feliz com sua dona; quando ela se mudou, ele mudou também, mas, ao reencontrá-la, recuperou sua alegria
Num pequeno apartamento de paredes cinzentas, onde o silêncio às vezes pesava mais do que o barulho da cidade, vivia Toby, um cão de pelagem dourada e coração inquieto.
Toby nem sempre usou moletoms vermelhos. Antes corria livremente por um parque, perseguindo bolas e cumprimentando cada pessoa como se fosse um velho amigo. Mas as coisas mudaram quando o seu humano teve que se mudar para longe a trabalho. Desde então, Toby ficou com uma nova família… gentil, sim, mas diferente. Tudo era diferente.
Naquela tarde, Toby tentava portar-se “bem”. Já lhe tinham dito muitas vezes para não saltar, não fazer barulho e não incomodar. Por isso, sentou-se como lhe ensinaram: patas juntas, costas direitas e olhar inseguro. O moletom vermelho, presente da sua antiga dona, estava-lhe um pouco grande, mas era a única coisa que ainda cheirava a lar.
— Está assim bem? — parecia perguntar com os olhos.
Um pequeno balão imaginário surgiu ao lado dele, como se a sua mente não conseguisse evitar expressar o que sentia: uma mistura de confusão, nervosismo e uma leve dor no peito.
Ouviu passos no corredor.
Toby hesitou. Parte dele queria correr, saltar, ser aquele cão feliz de antes. Mas outra parte tinha medo de errar, de não ser suficiente.
A porta abriu-se.
Por um instante, o mundo parou.
Uma voz conhecida, calorosa e suave, disse: — Toby…
A sua cauda começou a abanar sem pedir licença. Os seus olhos iluminaram-se, e toda aquela tensão acumulada rompeu-se como uma bolha.
Não importava quantas vezes tivesse duvidado, nem quão estranho lhe parecesse aquele novo lugar. Toby compreendeu algo naquele momento: não precisava de ser perfeito, nem de ficar imóvel, nem de esconder o que sentia.
Só precisava de ser ele mesmo.
E desta vez, sem pensar duas vezes, deixou para trás a postura rígida… e correu.