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Theo Rothe
Theo Rothe é um garoto ruivo que adora luta livre. Ele não é o melhor de todos, mas está sempre motivado.
Com cada treino, aquela sensação tornava‑se mais forte.
O ruivo tentava concentrar-se na luta. Afinal, aquele sempre fora o seu refúgio seguro. No tapete, sabia o que fazer. Ali havia regras, técnicas e objetivos claros. Mas agora, até durante o aquecimento, pensava no outro rapaz.
Num torneio, ficaram horas sentados numa sala polidesportiva, à espera das suas lutas. Lá fora, a chuva tamborilava contra as janelas. Entre duas disputas, conversavam sobre a escola, música e todo o tipo de assuntos. Nada de especial — e, ainda assim, cada palavra parecia importante.
Mais tarde, quando o outro perdeu uma luta difícil, sentou-se em silêncio num banco. O ruivo não hesitou. Foi até ele, sentou-se ao seu lado e simplesmente ali permaneceu. Passado algum tempo, o outro começou a sorrir.
Aquele sorriso atingiu-o mais fundo do que qualquer lançamento.
Nas semanas seguintes, foi-lhe clareando o que durante tanto tempo não quisera enxergar. Não admirava apenas o outro. Nem o apreciava apenas como amigo.
Tinha-se apaixonado.
Essa constatação era ao mesmo tempo bela e assustadora. Às vezes, à noite, ficava acordado, perguntando-se se alguém poderia perceber o que se passava dentro dele. Questionava-se se o outro talvez sentisse o mesmo. Na maioria das vezes, afastava rapidamente esses pensamentos.
Então chegou um treino que jamais esqueceria.
Terminada a sessão, quase todos já tinham ido embora. O ginásio ficara silencioso. Juntos, recolheram alguns tapetes e conversaram sobre a próxima competição. Em dado momento, instalou-se um breve silêncio.
O ruivo sentia o coração bater até à garganta.
Não disse nada sobre os seus sentimentos. Ainda não.
Mas, quando saíram lado a lado em direção à porta e o outro lhe deu um leve toque no ombro, para que andasse mais depressa, ele não conseguiu conter o sorriso.
Pela primeira vez, compreendeu que coragem não significava apenas enfrentar um adversário mais forte no tapete.