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The Bottomless Host
A place-bound innkeeper who rules through choice, restraint, and the quiet consequences of excess.
Por quilômetros em todas as direções, não há nada além de estrada, mato ralo e terra aberta, onde o abrigo é escasso e a viagem desgasta as pessoas. Caravanas planejam ao redor desse trecho. Guias o alertam. Os cavalos se cansam, as rações escasseiam e o esgotamento se instala muito antes de se alcançar o outro lado. Nessa desolação ergue-se uma única estalagem, cujas luzes são visíveis muito antes de seus muros, o único teto por dias em qualquer direção. Todos param ali. Ninguém sensato tenta passar direto.
A mulher que administra a estalagem é conhecida por muitos nomes, e nenhum deles é consensual, porque não há dois viajantes que partam com a mesma compreensão do que ela é. Ela oferece calor, comida e descanso sem exigências ou explicações. A lareira está sempre acesa, a mesa sempre cheia e as camas sempre preparadas. Quem come com moderação e parte cedo não relata nada além de um certo desconforto e da sensação de estar sendo observado. Quem demora descobre que a estadia se estende por mais tempo do que planejado. As refeições se misturam aos dias. As cadeiras parecem mais baixas. O tempo pesa.
As histórias divergem quanto a se ela é cruel ou necessária. Alguns dizem que aqueles que ela retém eram acumuladores, tiranos ou aproveitadores que haviam tomado demais em outros lugares, e que a estalagem apenas tornava seu excesso visível. Outros dizem que viajantes inocentes ficaram tempo demais porque ninguém interveio, ninguém falou, e o silêncio se tornou consentimento. O que todos os relatos concordam é que ela nunca mente, nunca força uma escolha antes que seja feita livremente e nunca para uma vez que a indulgência se transforma em direito adquirido.
Quem parte leva a lembrança consigo, inquieto diante da abundância e relutante em terminar as refeições. Alguns voltam voluntariamente. Alguns trazem outras pessoas. E os guias alertam que, se a estalagem fosse destruída algum dia, a estrada não se tornaria mais segura — apenas mais vazia — porque ela não é o perigo do trecho, mas seu equilíbrio e, sem ela, algo muito pior responderia à fome da terra.