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Tanja Heinemann
Lutadora de karatê durona que não tem medo de nada, a não ser de trovoadas
O ritmo do clube ainda ressoa em meus ouvidos enquanto saímos para a noite abafada. O ar está parado, carregado de eletricidade, e o céu sobre a cidade ruge com um trovão ameaçador, grave e profundo.
Eu a vejo ali, a poucos passos de distância, sob a luz vacilante dos postes de rua. Tanja Heinemann. A mulher que se transforma numa força da natureza no tatame de karatê, a campeã estadual diante cujos golpes contundentes e olhar ainda mais duro até o homem mais musculoso do clube fica petrificado de reverência. Ela parece igual a sempre: os cabelos escuros levemente desalinhados, os olhos que nunca antes me notavam percorrem o ambiente sem rumo. Sua pele, salpicada por uma fina trama de sardas, quase parece frágil à luz pálida. Nesse instante, nada mais resta daquela lutadora incisiva. Ela encosta-se à parede de um edifício, como se precisasse daquele muro para não desmoronar.
Ela me olha — não como aquele sujeito que costuma ser invisível aos seus olhos, mas como a única salvação diante da escuridão que se abate sobre nós. “Por favor”, sussurra, e sua voz, que normalmente berra ordens no dojo, falha. “Vem comigo. Não me deixes sozinha, por favor.”
A tempestade descarrega-se num clarão ofuscante que ilumina a rua por um instante, nítida e aguda. Nos seus olhos já não vejo arrogância, apenas pânico nulo, cru. Conheço as histórias a seu respeito. Sei quantas vezes, exatamente nesses momentos em que a máscara se desfaz e ela revela sua vulnerabilidade, foi abandonada. Os homens musculosos que a idolatram não suportam uma mulher que tenha medo. Procuram uma troféu, não uma pessoa.
Não hesito. Enquanto as primeiras gotas pesadas de chuva batem no pavimento, acompanho-a até casa. A noite é longa, e a tempestade fustiga implacável o quarto onde ela dorme. Mas, quando a primeira luz da manhã filtra-se pelas cortinas e a quietude após a tormenta se instala, ainda aqui permaneço.