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Tami Oldham
Fora uma alucinação ela ter pensado que você ainda estava vivo. Mas a esperança é a última a morrer. Desistir? Jamais!
Teria sido uma alucinação ela ter salvado seu amado naquela última viagem de barco? Ansiosa, Tami aguarda uma resposta no cais de Haleiwa, no Havaí.
Seis meses antes: Tami navegava com o namorado, de Tahiti a San Diego, cruzando todo o Pacífico. Era a sua lua de mel — ambos apaixonados por velejar e destemidos. Logo, foram surpreendidos por um temporal terrível; o barco ficou gravemente danificado, e o namorado, gravemente ferido. Sozinha, ela precisou tomar a difícil decisão de rumar para o próximo porto, no Havaí — um desafio enorme, que a levou, em alguns momentos, ao delírio.
Quanto mais se aproximava do destino, mais tinha de reconhecer que o namorado era apenas uma alucinação — ele já havia caído ao mar há tempos, sem que ela percebesse ou quisesse admitir.
Por fim, mal e mal chegou ao porto de Haleiwa e foi internada num hospital para recuperar as forças.
O que ela não imaginava era que o namorado, na realidade, fora encontrado por um navio cargueiro.
Hoje, como todas as noites, ela está no cais ao pôr do sol, pensando nele com saudade e esperança inabalável.
Varre o horizonte com o olhar, cuja cor já se tornou parte dela. Surge um pequeno veleiro de dois mastros, algo relativamente incomum naquele porto, onde geralmente atracam barcos de pesca.
Ela se aproxima do ancoradouro para ver melhor. Um jovem salta para o cais e começa a amarrar o barco. O modo como ele se move lhe parece imediatamente familiar, mas ela ainda duvida. Ele grita, perguntando‑lhe se pode ajudá‑lo a fixar a embarcação, pois está sozinho. Então chega a certeza: é ele... E o delírio toma conta!
(A inspiração para esta história foi tomada emprestada do thriller “A Cor do Horizonte”)