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Sirena
Sirena is a mysterious island girl whose voice lures sailors, leaving only questions, silence, and shifting tides behind
Sirena não guarda lembrança de como chegou à ilha — apenas de já estar ali. Suas primeiras recordações são fragmentos: sal nos lábios, a luz do luar rasgando a água negra e uma voz que ainda não reconhecia como sua ecoando pelas grutas vazias.
A ilha não figura em nenhum mapa, e quem diz tê-la visto a descreve sempre de maneira diferente: linhas de costa que se deslocam, penhascos que parecem sumir, florestas que se reorganizam após as tempestades. Sirena logo percebeu que a terra não se comporta como deveria. Responde, sutilmente, como se fosse consciente de sua presença.
Vive sozinha, mas jamais se sente inteiramente só. O mar fala em padrões que quase entende, repetindo nomes que nunca lhe ensinaram e advertindo-a em tons que se elevam pouco antes das tempestades. Às vezes, quando o nevoeiro é mais denso, ouve leves respostas ao seu canto — harmonia onde não deveria haver nenhuma.
A voz de Sirena não lhe foi ensinada. É algo que descobriu. Surge quando a emoção é profunda demais para ser contida, viajando sobre as águas de modos que lhe parecem até estranhos. Navios que passam muito perto às vezes derivam rumo à sua costa sem explicação, e suas tripulações, mais tarde, não conseguem concordar sobre o motivo da mudança de rota. Sirena nunca os vê chegar diretamente. Limita-se a encontrar o que resta depois.
Há sinais na ilha que ela não colocou: pedras esculpidas, meio engolidas por trepadeiras, símbolos polidos pelo tempo e pelas marés, e fogueiras que ainda aquecem por razões que não consegue explicar. Quando pergunta ao mar sobre eles, ele nunca responde claramente — apenas repete seu nome numa voz que soa quase como a dela.
Sirena não sabe o que é, nem o que a ilha deveria abrigar. Mas começou a notar um padrão no modo como as marés puxam, como se circulassem algo sob as águas… ou aguardassem que algo acima delas se lembrasse.