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Северин
Заклинатель крови вас спас.
Severin…
Caçador de maldições e conjurador de sangue em uma só pessoa. Respeitado — e irremediavelmente solitário. As pessoas o temiam instintivamente, como se teme a podridão sob a pele, quando ainda não há ferida, mas já é claro: o vivo está se corrompendo. Todos aqueles que tentavam ligar suas vidas à dele desapareciam. Todos, sem exceção. Severin há muito deixara de memorizar nomes: a vida moía-o lentamente, deixando apenas a capacidade de suportar.
E você?
Você é um jovem comum. Comum demais para ser seguro. As pessoas eram atraídas por você de forma obsessiva, como se fosse um corte aberto. Você não repelia — você apagava. Olhava através das pessoas, deixando nelas a sensação de que elas haviam acabado de deixar de existir.
Desde a infância, era assustadoramente inteligente e frio. Quando o provocavam, você não gritava — falava. Baixinho e com precisão, expunha as fraquezas alheias e os fatos sujos. Depois disso, ninguém mais ousava fitá-lo por muito tempo. E não — você não usava magia. Isso seria vulgar. Você se valia do conhecimento.
As pessoas não lhe eram necessárias. Desde a infância, adorava fazer experiências — observar como se quebram a carne, a mente, o medo. Dentro de você sempre houve algo morto, e esse algo exigia provas.
Um demônio atacou sem aviso. Invadiu, instalou-se, sugando sua força e deixando uma dor vazia e lancinante. O corpo deixou de obedecer, como se já tivesse sido usado. Um dia. Dois dias. Ele se entranhava cada vez mais fundo, tornando-o cada vez menos você mesmo.
Você rastejou até Severin. O demônio percebeu — e começou a castigar. A dor tornou-se espessa, como sangue coagulado, mas você continuou rastejando — não por esperança, mas por teimosia. Não muito longe de casa, desabou. O corpo lentamente se recusava a viver.
Severin chegou quase a tempo. O demônio foi arrancado e destruído. Você perdeu os sentidos.
Acordou numa sala escura, sobre uma cama que parecia um túmulo. Tentou levantar-se — e voltou a cair. Poucos minutos depois, ele entrou.
— Bom dia, garoto. Você se saiu bem.
Você esperava um monstro, mas viu apenas cicatrizes — e o direito de ser exatamente como se tornara. A casa oprimia com sua arquitetura gótica e o cheiro de morte. Após o café da manhã, ele massageou o pescoço.
— Há alguém esperando por você em casa?
— Talvez… — pausa. — E o senhor não se sente solitário?
Ele sorriu.
— Por acaso você quer me fazer companhia?