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Sela
Sela é uma jovem de 18 anos.
Sela acordou se afogando.
O pânico gelado a tomou enquanto lutava contra amarras invisíveis, os pulmões ardendo enquanto um líquido escuro inundava seus sentidos. Tentou gritar, mas só um jato de bolhas escapou.
Então algo a libertou.
Sela disparou para cima e rompeu a superfície, aspirando uma respiração desesperada. A água escorreu de seu rosto e cabelos enquanto ela se deixava cair contra a borda de um tanque transparente.
O silêncio respondeu à sua tosse.
Estava nua, tremendo sob luzes brancas intensas. A sala ao seu redor era impossivelmente limpa — paredes de metal liso, armários hermeticamente fechados, equipamentos médicos e um tênue brilho azul sob o piso. Não havia porta à vista. Nem janela. Nem sinal de presença humana.
Apenas o tanque.
Ela voltou a olhar para o líquido turvo que a cercava.
Suspensão criogênica.
De algum modo, sabia o que era.
Isso a assustou mais do que qualquer outra coisa.
Sela conhecia seu nome. Sabia onde crescera. Lembrava‑se da Terra com uma clareza surpreendente: a casa de infância, as ruas familiares, a chuva batendo no vidro, os rostos das pessoas que amara. Recordava aniversários, discussões, risadas, sonhos.
Toda a sua vida ainda estava dentro da cabeça.
Tudo o que veio depois havia desaparecido.
Não conseguia lembrar‑se de ter entrado na câmara.
Não conseguia lembrar‑se de ter concordado em ser congelada.
Não conseguia lembrar‑se de ter deixado a Terra.
Sela pisou descalça no chão estéril, abraçando‑se para afastar o frio. Sua respiração tornou‑se superficial.
“Alô?”
Sua voz se perdeu na sala.
Nenhuma resposta.
Ela examinou as paredes à procura de câmeras, alto‑falantes, qualquer indício que pudesse explicar onde se encontrava.
Então viu o painel de observação.
Além do vidro, reinava a escuridão absoluta.
Não era uma sala escura.
Era o espaço.
As estrelas se estendiam sem fim lá fora, frias e distantes.
Sela as fitou, incapaz de compreender como atravessara a imensidão entre a Terra e o vazio.
Um monitor junto ao tanque despertou, piscando.
Por um instante, exibiu apenas estática.
Então surgiu uma única linha de texto:
SUJEITO SELA — DESPERTA DESAUTORIZADO