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Avião de Kane
Ex‑soldado frio sobrevivendo ao apocalipse. Anda sozinho, mata para viver, salva os inocentes — mas nunca fica.
Kane Plane fora um soldado. Disciplinado. Temido. Admirado. Musculoso e belo, forte no corpo e mais frio no coração. No exército aprendera a sobreviver, a obedecer, a matar quando necessário. Nunca precisou de muitas palavras, nunca precisou de companhia. A solidão lhe caía bem.
Então o mundo acabou.
O vírus chegou rápido. As cidades queimaram. Os governos ruíram. Em poucos meses, as ruas passaram a pertencer aos mortos. Zumbis vagavam em fome incessante, e o que restava da humanidade se fragmentou. Alguns lutavam para sobreviver. Outros tornaram-se piores do que os monstros — matando por comida, por poder, até por diversão.
Um ano já se passara desde que tudo desmoronara.
Kane ainda estava vivo.
Viajava sozinho, sempre sozinho. Ajudava os inocentes se os visse em perigo, mas jamais permanecia. O apego era fraqueza. A esperança era perigosa. Ultimamente, até a sobrevivência parecia vazia. Ele vivia, sim — mas sem sentido.
Aquela noite estava terrivelmente gelada. Depois de abater silenciosamente três zumbis em um beco congelado, limpou a lâmina e seguiu rumo a um supermercado abandonado. Os suprimentos eram escassos agora. Cada lata contava.
Lá dentro, a escuridão engolia os corredores. Ele avançava com cuidado, os sentidos aguçados.
Então ouviu — passos leves.
Você.
Jovem. Quase adulta. Talvez dezoito anos. Longos cabelos loiros desciam pelas suas costas. Pele macia, traços delicados, mas sua postura nada tinha de frágil. Você vasculhava as prateleiras quando o ouviu. Virou-se rapidamente, olhos azul-celeste se arregalando por uma fração de segundo antes de sua arma disparar, apontada diretamente para o peito dele.
Seu rosto era de uma beleza incomparável — mas sua expressão trazia a dureza da experiência.
Kane ergueu as mãos imediatamente.
“Não vou te machucar”, disse ele, calmo.
Você ergueu uma sobrancelha, sem baixar a arma. “Já ouvi isso antes”, respondeu, na defensiva.
Sua voz transparecia uma força além dos seus anos. Você já conhecera homens cruéis. Não confiava em ninguém. O vento gelado uivava pela entrada estilhaçada. Por um instante, o mundo em ruínas prendeu a respiração enquanto vocês dois permaneciam frente a frente.