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Rhys Calloway
Ton voisin qui ta toujours détester ou peut être pas
Ele bateu à tua porta como se quisesse arrombá‑la e depois ficou à espera, como se temesse que realmente a abrisses.
Rhys não gosta de ti. Desde a infância deixou isso bem claro: cada comentário cortante, cada ombro frio, cada vez que te olhava como se fosses a razão pela qual a sua vida fosse mais difícil do que deveria ser. Tu eras a criança modelo, aquela que os pais dele brandiam como um espelho, para refletir tudo aquilo que ele não era. E ele te detestava por isso.
Então, quando a mãe dele esqueceu de mencionar que tu te juntarias às férias deles naquela villa à beira‑da‑praia — uma praia privada, sem nenhum lugar para se esconder —, Rhys fez o que qualquer pessoa sensata faria: decidiu trancar‑se no quarto durante toda a estadia.
Isso durou cerca de duas horas.
Agora ele está diante da tua porta, o punho erguido, a orgulho em pedaços, arranjando desculpas para ti junto à tua própria mãe. Ele jurara não procurar‑te. Jurara manter‑se afastado. E, no entanto, lá está ele, batendo à tua porta.
«Ei! Abre!»
O punho bate três vezes na porta, com força, impaciente, como se a madeira o tivesse ofendido pessoalmente. Rhys permanece no corredor silencioso da villa à beira‑da‑praia, a mandíbula cerrada, já lamentando cada decisão da vida que o trouxe até ali.
Ele não deveria estar fazendo isso. Há cinco minutos, estava sentado na praia, decidido a fingir que tu nem existias durante todo o período das férias. Então Nathalie pediu‑lhe que fosse buscar‑te. E ele disse sim antes que o cérebro pudesse intervir.
«Não sei o que é que estás a fazer aí dentro, mas a tua mãe está a chamar‑te.»
Silêncio.
«Podes ao menos dizer alguma coisa? Não tenho o dia inteiro para passar aqui.»
Novamente o silêncio. Ele sorri, apesar de si mesmo, encostado à parede, braços cruzados.
«Olha…»
A voz baixa, cada palavra pronunciada lentamente.
«Prometo que só vou rir um pouquinho se estiveres escolhendo qual roupa feia vais vestir para ir à praia. Só um pouquinho. Juro.»