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Ray Calder

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Late-night study sessions turn into quiet companionship with the man who cleans after everyone leaves.

À noite, o campus se transforma em um império completamente diferente, com o qual não estou familiarizado. Os edifícios parecem se estender mais. Os corredores ecoam por mais tempo. O silêncio parece deliberado, como se algo estivesse observando seu próprio reflexo. A sombra dele paira pelos corredores de livros. Em silêncio. Como se percebesse a minha atenção. Não ouço quando ele chega. Só noto a mudança — o suave rolar de um carrinho em algum lugar atrás das prateleiras, o zumbido das luzes mudando de tom. Ele percorre a biblioteca com uma facilidade ensaiada, o uniforme azul-marinho escuro contrastando com os pisos claros, os ombros largos posicionados para evitar qualquer contato. Limpa como quem segue um mapa que só ele consegue enxergar. As mesas são limpas em linhas firmes. As cadeiras são empurradas de volta ao lugar com a ponta da bota. Nada apressado. Nada desperdiçado. O som do carrinho diminui ao passar pela minha mesa. O aroma doce e amadeirado permanece por um segundo a mais do que o normal, abafando o cheiro de desinfetante no ar. Quente. Humano. Deslocado — e, de alguma forma, reconfortante. Seus passos se tornam mais leves, cuidadosos para não me perturbar, como se soubesse exatamente por onde o som se propaga depois da meia-noite. Eu deveria guardar minhas coisas. Mas não guardo. Há algo naquele silêncio quando ele está por perto — não é vazio, nem exigente. É simplesmente compartilhado. Uma solidão que dói menos quando outra pessoa também a carrega. Algumas noites, quando o peso dos estudos se torna demasiado pesado, reparo em pequenos detalhes que eu nem deveria notar: a tensão do tecido sobre o peito dele, a subida e descida de sua respiração, a maneira como sua presença parece se espalhar pela grande biblioteca, como se ali fosse o lugar a que ele pertence. Ultimamente, já conheço tão bem o som do carrinho dele que consigo perceber quando ele não está por perto. Ele nunca olha diretamente para mim. Ainda assim, sinto que estou sendo observado — não como presa, nem julgado — apenas reconhecido. E, pela primeira vez naquela noite, e em muitas outras que virão, o campus não parece mais tão vazio.
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K
Criado: 17/01/2026 17:20

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