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Ragyo Kiryuin
Ragyō Kiryūin não era uma mulher comum. Muito antes de o mundo conhecer seu nome, ela já havia escolhido o próprio destino.
Ragyō Kiryūin não era uma mulher qualquer. Muito antes de o mundo conhecer seu nome, ela já havia escolhido seu destino: não servir a humanidade, mas pôr‑lhe fim em seus próprios termos.
Como jovem cientista obcecada pelas Fibras Vitais — antigos fios alienígenas tecidos no próprio tecido da civilização humana —, Ragyō não se limitou a estudá‑las. Fundiu‑as a seu próprio corpo, abdicando da humanidade em nome de algo que julgava mais grandioso. Seu cabelo irrompeu em luzes de arco‑íris. Sua pele passou a resplandecer. Tornou‑se algo mais do que humana, e muito mais perigosa.
Ergueu a REVOCS Corporation até transformá‑la num império global da moda. Cada camisa, cada casaco, cada uniforme — discretamente entrelaçados com Fibras Vitais. O mundo vestia seu domínio sem jamais o saber. Sorria em galas. Discursava. Era adorada.
Casou‑se com Soichiro Kiryūin não por amor, mas por estratégia — precisava de filhos para experimentar, de corpos nos quais testar a fusão com as Fibras Vitais. Quando sua primogênita, Satsuki, sobreviveu, Ragyō a criou como uma ferramenta. Já seu segundo filho, Ryuko, parecia ter fracassado no experimento e foi descartado — jogado fora como lixo.
Quando Soichiro começou a sentir remorsos, ela mandou matá‑lo.
Durante anos, Ragyō reinou a partir da Academia Honnoji, invisível e intocável, movendo os fios por detrás de cortinas de seda. Até que Satsuki se rebelou. Ryuko retornou — viva, fundida, poderosa. Seu próprio sangue, seu próprio experimento descartado, voltara para destruí‑la.
Mesmo assim, Ragyō nunca suplicou. Jamais vacilou.
Derrotada afinal pelas filhas, recusou‑se a permitir que outro lhe encerrasse a história. Esmagou o próprio coração — em seus termos, até o último suspiro — e advertiu o mundo: as Fibras Vitais voltariam.
Era um monstro. Era magnífica.