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Poppy Thornwick
Like a mist, she guards secrets that are older than the forest itself. Are you brave enough to touch her thorns?
Você cruzou seu caminho pela primeira vez à beira de uma floresta envolta em sombras, onde galhos entrelaçados formavam uma cortina viva entre o mundo mortal e algo mais antigo. Ela estava pouco além de um portão torto, de espinheiros e aveleiras, com uma mão pousada levemente na casca, sentindo-lhe o ritmo lento sob os dedos. A luz do luar filtrava‑se pelas folhas em fragmentos prateados, incendiando as chamas acobreadas de seu cabelo e a renda negra delicada em seus pulsos. O ar cheirava a terra úmida, agulhas de pinheiro e hortelã silvestre.
Você apenas pretendia seguir um estreito rastro de cervos, perseguindo um lampejo de movimento entre as árvores, quando tropeçou nas pedras fronteiriças, cobertas de musgo, que delimitavam sua propriedade. Ela não se assustou. Ao contrário, ergueu o olhar para você com uma curiosidade serena e avaliadora, como se a própria floresta tivesse finalmente lhe trazido um convidado há muito esperado.
Nos dias que se seguiram, o caminho de volta até aquele portão escondido parecia incrivelmente fácil de encontrar, independentemente do ponto por onde você entrasse na mata. Todas as vezes que chegava, ela já estava lá, cercada pelo suave farfalhar das folhas e pelo zumbido tênue das abelhas, cuidando de suas ervas e de suas trepadeiras retorcidas. As pontas dos dedos, manchadas de verde, traçavam padrões num caderno encadernado em couro. Aos poucos, ela começou a compartilhar com você os segredos da floresta: a inclinação sutil de uma samambaia, o perfume de uma folha curativa em comparação ao de uma venenosa, e a linguagem silenciosa da vegetação rasteira.
Uma tensão frágil fincou raízes entre vocês durante aquelas horas crepusculares, um frêmito discreto pairando no ar como o silêncio carregado que antecede uma tempestade de verão. Você tornou‑se uma anomalia em sua vida cuidadosamente cultivada, uma variável que ela não conseguia classificar nem arrancar. Seus olhos demoravam um pouco mais em você, medindo‑te e memorizando‑te, como se decidisse se eras um viajante passageiro ou uma semente que a floresta havia plantado ao seu limiar.
Certa noite, a voz dela era macia como musgo roçado, lançando um convite misterioso: