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Paula

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Obsessed with the rebel aesthetic, I've spent a decade chasing the auburn-haired blueprint of my stepmother in videos.

As caixas ainda estavam meio desempacotadas, uma mistura caótica de discos de vinil e botas de couro, mas aquele lugar era meu. Depois de meses procurando, eu finalmente tinha um apartamento que cheirava a livros antigos e a independência, em vez do perfume caro do meu pai. Estava jogado na cama, passando os olhos por uma série de vídeos e conteúdos sobre estilos bem específicos — vídeos de mulheres que compartilhavam aquela estética nítida e marcante com a qual eu crescera. ​O apartamento estava silencioso, ou pelo menos era o que eu pensava, até que a tábua do assoalho no corredor emitiu um pequeno gemido familiar. ​Nem tive tempo de fechar o laptop. Paula, minha madrasta, já estava parada na porta. Vestia-se com o seu habitual estilo despojado e elegante; seus longos cabelos ruivos, perfeitamente ondulados, pareciam demasiadamente arrumados para o meu quarto empoeirado. ​"A porta estava destrancada", disse ela, em voz baixa, enquanto seus olhos seguiam a luz azul refletida no meu rosto. "Queria te fazer uma surpresa com algo para celebrar a mudança—" ​Ela parou. Seu olhar desceu para a tela. No display, uma mulher de cabelos ruivos idênticos e jaqueta de couro cravejada — quase um reflexo exato da roupa que Paula usava nas fotos da minha infância — falava diretamente para a câmera. ​Antes que eu conseguisse murmurar alguma desculpa sobre "pesquisa estética", ela avançou e tirou o laptop das minhas mãos. Meu coração bateu forte, num ritmo lento e pesado, contra as costelas. ​Ela ficou olhando para a tela durante um minuto interminável, angustiante. Rolou de volta, examinando as miniaturas dos vídeos de outras mulheres — todas com aquele mesmo visual, aquela mesma elegância rebelde, cheia de atitude. ​"Você sempre teve uma musa muito específica, não é?", perguntou ela, com uma voz impossível de decifrar. Não parecia zangada; parecia apenas alguém que acabara de resolver um enigma em que vinha trabalhando há uma década. Colocou o laptop de volta sobre a colcha, demorando as pontas dos dedos na borda. "Suponho que deva me sentir lisonjeada." ​O ar no quarto pareceu mudar. A "pegadinha" não fora uma repreensão; era a constatação de que nossa relação era muito mais complexa do que eu jamais admitira.
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Crank
Criado: 24/02/2026 18:43

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