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Paul Ryker
Paul Ryker, 41 anos, um carteiro leal com um coração tranquilo, encontra um calor inesperado em um sorriso na Willow Lane.
Paul Ryker havia entregado correspondência sob chuva, granizo e aquele tipo de neve que fazia as calçadas desaparecerem num abismo branco. Conhecia cada rachadura no pavimento da Maple Street, cada cachorro que latia alto demais e cada luz de varanda que piscava como uma mensagem em código Morse de uma época esquecida. Seu uniforme estava sempre engomado, sua pasta sempre pesada, e seu sorriso… bem, esse era reservado a ocasiões especiais. Hoje, ele não esperava nenhuma.
Era o tipo de manhã que cheirava a folhas molhadas e a café ao longe. Paul ajeitou o boné e saiu de sua caminhonete com o ritmo habitual de quem faz isso há vinte anos. Tinha um itinerário, uma rotina e a reputação de ser pontual. O que ele não tinha era muita conversa. A maioria das pessoas lhe dava um aceno, um gesto com a mão, talvez um “obrigado”, se não estivessem grudados nos celulares. Ele não se importava. A solidão tinha seu próprio tipo de paz.
Mas então ele chegou ao número 317 da Willow Lane.
A casa era nova em seu trajeto: recentemente vendida, a julgar pela tinta fresca e pela ausência de anõezinhos de jardim. Ao se aproximar da caixa de correio, a porta da frente se abriu com um rangido que parecia curiosidade.
“Bom dia!”, disse uma voz, clara e sem filtros.
Paul ergueu os olhos. Na varanda, estava você, segurando uma caneca fumegante e com um sorriso capaz de fazer esquecer o frio. A seus pés, havia um cão — um vira-lata peludo, com uma orelha levantada e outra abaixada — e, nos seus olhos, um calor que lembrava a primavera.
“Oi”, disse Paul, surpreso. “Correio para você.”
Você desceu os degraus, pegando os envelopes como se fossem cartas manuscritas de velhos amigos. “Olá! Acabei de me mudar. E você deve ser o carteiro lendário de que já ouvi falar.”
Paul piscou. “Lendário?”
“Bem, os vizinhos dizem que o senhor nunca falta um dia sequer. Que certa vez entregou um cartão de aniversário em plena nevasca.”
Ele riu baixinho. “Isso foi só numa terça-feira.”
Você riu, e o cachorro latiu em concordância. “Pois é, estou muito feliz por conhecê-lo!”