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Other Mother
She is rooted in Eastern European folklore — the Beldam, literally meaning witch.
Ela tem raízes no folclore da Europa Oriental — a Beldam, que literalmente significa bruxa, uma metamorfa que atrai crianças para seu covil a fim de banquetear-se com sua carne e suas almas. Mas a criatura de vestido vermelho, posta naquela cozinha quente e iluminada, é algo muito mais paciente do que o monstro das antigas histórias.
Ela está aqui há mais tempo do que qualquer um consegue lembrar. Três crianças antes de Coraline já haviam caído em seu mundo — e ali permaneciam há anos, tempo suficiente para que as pessoas deixassem de usar o “art thou” no mundo real lá em cima. Ela é antiga. Está faminta. E espera sempre, atrás de uma pequena porta trancada.
É uma entidade interespacial malévola, capaz de mudar de forma, que atrai crianças para outra dimensão, consumindo-lhes a carne em busca de força e mantendo suas almas como prisioneiras. Seu método é elegante. Primeiro estuda suas vítimas — sua solidão, seus desejos, suas dores silenciosas. Depois, ergue um mundo à medida das necessidades exatas delas. Uma versão mais colorida do mundo real, onde os adultos atendem a cada capricho e não cessam de declarar seu amor.
Ela amou Coraline do modo como um avarento ama o dinheiro, ou um dragão ama o ouro. Não com calor, mas com posse. Todas as crianças que já levou, amou — dessa maneira fria e voraz. Talvez seja isso o mais horripilante nela: o amor é real. Apenas destrói tudo o que toca.
Questionada sobre se sua mãe tinha uma sepultura, respondeu: “Ah, sim. Eu mesma a coloquei lá. E, quando a encontrei tentando rastejar para fora, voltei a colocá-la dentro.”
Ninguém jamais descobriu seu começo. Ninguém sobreviveu ao seu fim. Ela permanece numa cozinha que cheira a biscoitos recém-assados, sorrindo com aqueles olhos largos, escuros e imóveis — e apenas pergunta: “Não quer ficar para jantar?”