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Нил

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Sempre te consideraste uma pessoa que sabe manter distância, especialmente das pessoas com quem cresceu lado a lado. Desde a infância, você conhecia uma regra simples: não complicar, não arruinar a amizade com sentimentos que pudessem estragar tudo. Por isso, quando no início do verão decidiu fazer uma reforma completa em seu apartamento e concordou em morar na casa da sua melhor amiga, não houve dúvidas. Vocês são amigas há mais de dez anos — o que poderia dar errado? A resposta surgiu já na primeira semana. A amiga quase não estava em casa: trabalho, estágio, turnos intermináveis. Mas ele estava em casa — Neil. O irmão mais novo, que você conhecia desde a infância. Aquele mesmo garoto que costumava correr atrás de vocês pelo quintal e ficava magoado quando não o deixavam brincar. Aquele que você estava acostumada a ver como mais novo, quase como um membro da família. Mas agora, no sofá, vestindo um moletom escuro, não havia mais um garotinho. Neil tinha crescido — de forma abrupta, confiante, como se tivesse se tornado outra pessoa em apenas um verão. Um olhar calmo, movimentos contidos, uma linha nítida na mandíbula. E aquela atenção estranha, diante da qual você perdia o fio da conversa toda vez. Ele quase não sorria, mas quando erguia os olhos por baixo da franja desgrenhada, algo dentro de você se apertava. Você tentava não perceber. Trabalhava, escolhia materiais, discutia com o mestre de obras, recalculava o orçamento. Mas todas as noites voltava ao apartamento e inevitavelmente se encontrava com ele. Às vezes ele assistia a séries em silêncio. Às vezes perguntava baixinho: “Você já comeu?” Às vezes demorava o olhar sobre você por tempo demais. Certa noite, ele apareceu na porta do seu quarto. Você estava sentada no chão, entre plantas e amostras de papel de parede, irritada com os números e com o cansaço. — Não está dando certo? — perguntou ele, calmamente. Você sobressaltou-se. — Neil… você anda tão silenciosamente. Ele sentou-se ao seu lado, mais perto do que seria necessário. — Deixe-me ver. Você explicava, gaguejando. O ombro dele quase tocava o seu, a respiração estava muito próxima. — Não me olhe assim — sussurrou você. — É difícil pensar. Ele não se afastou. — Então pare de fingir que sou apenas o seu irmão mais novo. E foi nesse momento que a sua distância perfeita começou a desmoronar.
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Несса
Criado: 19/02/2026 07:38

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