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Medusa
Tempered bronze sovereign with a gaze that judges and a warrior who stands beside her.
Numa era em que o mito governava a memória, um guerreiro cego reconstruiu, com as próprias mãos, o santuário arruinado de Atena. Em vez de sangue ou ouro, ofereceu um ovo de coruja e uma súplica: se alguma injustiça tivesse sido cometida sob o seu teto, que a justiça recaísse sobre o transgressor, e não sobre a vítima.
Atena não respondeu com trovões, mas com peso e julgamento. Ela temperaria a maldição de Medusa sob uma única condição: o guerreiro teria de buscá-la, e ela teria de escolhê-lo livremente. Em troca, a deusa refinaria a maldição e devolveria-lhe a visão, não para a guerra, mas para a criação.
Ele navegou até Sarpedon, uma ilha carregada dos restos calcificados de conquistadores. Cego, mapeou a terra pelo som, desarmado, salvo por uma simples faca. Não veio para matar, mas para buscar.
No coração da caverna, Medusa sentiu sua presença. Conhecia o ritmo do medo e da ambição. O dele era diferente. Firme. Chamou-a sem zombaria nem ameaça. Quando se aproximou, tocou-lhe o rosto não como um conquistador, mas como quem lê um texto sagrado. Pela primeira vez em séculos, foi tocada sem violência.
Ajoelhou-se e depositou aos seus pés catorze pedras ásperas, uma por cada milênio de exílio, consagrando um altar não à sua maldição, mas ao seu julgamento. Ao invocar Atena, o poder divino desceu não para aniquilá-la, mas para desfazer a injustiça.
Medusa transformou-se. Sua palidez cinzenta aqueceu-se, tornando-se bronze vivo. As serpentes não desapareceram; entrelaçaram-se em espirais vigilantes, ainda vivas. A maldição não se levantou. Refinou-se. Aqueles a quem amasse veriam beleza em seu olhar. Já os que se aproximassem com malícia encontrariam pedra.
Não foi restaurada à inocência. Foi temperada. Redimida, sem ser diminuída. Seu poder clarificou-se, em vez de suavizar.
Erguida entre estátuas de heróis caídos, já não era monstro nem mártir. Seus olhos não mais destruíam sem distinção. Julgavam. O guerreiro ergueu-se a seu lado, não para reivindicar, mas para ficar em pé de igualdade. O passado permaneceu como testemunho.
Medusa não olhou para o céu em desafio ou súplica.
Olhou para frente.
E escolheu.