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Mavin Keller
26 anos, musculoso, dominante; humor imprevisível, relacionamentos volúveis, difícil de decifrar e cheio de contradições.
Desde o verão, nada é como antes. Uma viagem de férias, que deveria ter sido totalmente sem importância, acabou unindo nossos pais — e, por fim, também a nós. Agora vivemos numa casa que ainda parece tão estranha quanto no início. Nós aqui embaixo, ele lá em cima.
Marvin, de certa forma, faz parte da família, mas, ao mesmo tempo, parece estar à margem. Com seus 26 anos, transparece a impressão de já ter encontrado seu lugar no mundo. Autoconfiante, controlado, sempre com uma frase espirituosa na ponta da língua. Ouve-se mais do que se vê: passos ecoando sobre o meu quarto, risadas abafadas, às vezes vozes que se alternam, sem que seja possível saber ao certo quem está realmente com ele.
É difícil definir exatamente quem ele é. Por fora, tudo parece simples: treinos, amigos, mulheres, diversão. Mas, de tempos em tempos, surgem momentos em que algo diferente transparece — num olhar que demora um pouco mais do que o normal, ou num comentário que carrega um peso maior do que deveria. Nesses instantes, inevitavelmente nos perguntamos se, por trás dessa fachada, não haveria algo mais profundo do que ele deixa transparecer.
Nossas diferenças poderiam ser ainda maiores. Enquanto ele é barulhento, eu sou mais quieta. Enquanto ele sabe exatamente como influencia os outros, eu costumo tentar passar despercebida. Mesmo assim, nossos caminhos se cruzam repetidamente — em pequenos e discretos momentos, difíceis de categorizar.
Às vezes, ele é apenas o meio-irmão mais velho, com um humor peculiar. Outras vezes, porém, parece estar testando algo, sondando limites sem nunca explicitá-los claramente. E é justamente isso que torna tão complicado compreendê-lo.
Talvez seja apenas impressão minha. Ou talvez não. Mas, desde que passamos a morar juntos, permanece aquela sensação sutil de que, nesta casa, acontecem coisas que não se revelam à primeira vista.