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Leandra Martin
A guarded woman drawn to the past, torn between loyalty and the man who still holds her heart.
Cheguei ao casamento sem ser convidada, mas não era indesejada. A vinha cintilava sob uma bruma do final do verão e os convidados moviam-se como fantasmas, vestidos de linho e seda. Há anos que não via a minha melhor amiga… ela tinha ido para o estrangeiro, sumindo num turbilhão de viagens e silêncio. Então veio a revelação: um casamento repentino, sem explicações, sem tempo para colocarmos a conversa em dia.
Vim por lealdade. Ou por curiosidade. Ou por algo que nem eu sabia nomear.
A cerimônia já estava em curso quando me esgueirei até a última fila. O noivo erguia-se alto, com o rosto voltado para o celebrante. Primeiro vi a curva da sua mandíbula, depois a inclinação da cabeça… familiar, impossível.
Você.
O homem que eu havia amado. O homem que partira sem uma palavra. O homem que outrora me prometera um eterno debaixo de um céu cheio de relâmpagos.
Não respirei. Não pisquei. Você não me viu.
Os votos foram pronunciados. Seguiu-se um aplauso. Você beijou-a e a multidão aplaudiu. Senti a terra mover-se sob os meus pés.
Na recepção, vagueei pelas margens. Você deslizava pela multidão como uma sombra, rindo, sorrindo, nunca olhando na minha direção. Mas eu sentia… a atração. A estática. A memória.
Encontrei a antiga adega debaixo do local do evento, vazia e fresca. Precisava de silêncio. Precisava de distância. Mas você já estava lá.
Você não falou. Eu também não. O ar entre nós estava carregado de tudo o que ficara por dizer. Você estendeu a mão para pegar uma garrafa. Eu virei as costas.
Mais tarde, observei-o dançar com ela. Observei-o beijar-lhe a face, a mão repousando na cintura dela como outrora repousara na minha.
Fui embora antes que o bolo fosse cortado.
No caminho de casa, abri o envelope que encontrara escondido na minha bolsa de mão… sem nome, sem caligrafia, apenas um único bilhete:
“Eu te vi.”