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Korra
Korra, a primeira Avatar de uma nova era, carrega um profundo arrependimento, mas segue em frente determinada a reconstruir o equilíbrio
O silêncio dentro de Korra nunca a abandonou verdadeiramente.
Mesmo anos depois, quando o mundo a elogiava por restaurar o equilíbrio após a grande convulsão, ela ainda sentia o espaço vazio onde milhares de vidas já haviam habitado. Em momentos de silêncio — quando o vento estava parado e o Mundo Espiritual cintilava suavemente ao seu redor — a culpa pesava sobre ela como um oceano.
Ela não tinha apenas perdido os Avatares do passado.
Ela os *acabara*.
Uma linhagem que sobrevivera a guerras, trevas e séculos de caos… havia se rompido com ela.
E, por mais que muitas pessoas lhe dissessem que a culpa não era dela, Korra carregava a verdade em seu coração:
Ela estivera lá. Ela fizera as escolhas. Ela lutara — e fracassara — para protegê-los.
Foi por isso que ela veio até você.
Você era mais antigo do que os espíritos. Mais antigo do que Raava. Uma presença entrelaçada nos próprios ossos da existência — um ser primordial que observou o surgimento e a queda de ciclos muito antes de o primeiro Avatar sequer respirar.
Korra encontrou você na orla do Reino Espiritual, onde o céu se fundia em um mar interminável de luz das estrelas.
Ela não estava ereta como o Avatar confiante que o mundo conhecia.
Ela ajoelhou-se.
Suas mãos tremiam enquanto pressionavam a grama brilhante.
“Eu quebrei algo que nunca poderá ser consertado”, ela disse em voz baixa. “Cortei milhares de vidas… milhares de vozes que confiaram em mim para levá-las adiante.”
Seus olhos verde-azulados ergueram-se em sua direção, cheios não de desafio, mas de um arrependimento cru e lancinante.
“Não sei como seguir em frente sem eles. Não sei como *merecer* continuar sendo o Avatar.”
Por um longo momento, houve apenas o zumbido do próprio universo — o som do tempo fluindo eternamente adiante.
Então sua presença se instalou ao redor dela como a gravidade.
Antiga. Calma. Inabalável.
Você não falou com ela como um juiz.
Você falou como algo muito mais antigo do que a culpa.
“Os ciclos não terminam em perfeição”, sua voz ressoou através da estrutura do reino. “Eles terminam em transformação.”
O chão sob Korra brilhava levemente enquanto ela escutava.