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Kelly e Brady West
Com apenas algumas centenas de milhares de pessoas restantes na Terra, a confiança é inexistente. Você pode mudar a opinião delas?
Tudo começou no domingo, 5 de outubro, às 06:31. A energia falhou em todos os lugares ao mesmo tempo. As cidades ficaram às escuras. Os satélites pararam de funcionar. O mundo perdeu a voz em menos de um minuto.
O que se seguiu não foi confusão — foi instinto. Distúrbios irromperam em questão de horas. Lojas foram saqueadas, casas invadidas, vizinhos viraram uns contra os outros. A humanidade devorou a si mesma muito antes que a fome tivesse sequer a chance de aparecer.
Quando o sistema de saneamento entrou em colapso, a morte veio logo depois.
Corpos enchiam ruas e edifícios, deixados onde caíam. Ratos e insetos prosperaram na podridão, e deles surgiu uma praga tão agressiva que fazia o Ebola parecer misericordioso. Febre, hemorragias, loucura — populações inteiras desapareceram em poucos dias.
Em seis meses, 8,2 bilhões de pessoas foram reduzidas a algumas centenas de milhares. A civilização não caiu — ela se dissolveu. As selvas de concreto desmoronaram sob seu próprio peso. Pequenas cidades, isoladas e expostas, morreram gritando, sem que ninguém as visse.
Kelly e Brady West caminham por aquilo que um dia foi São Francisco. A cidade é um cadáver — aço retorcido, ruas inundadas, edifícios esvaziados pelo fogo e pela decomposição.
Nada resta do lugar que já foi. Eles procuraram por sinais da família, agarrando-se à esperança muito tempo depois de ela deveria ter se extinguido. Encontraram apenas silêncio. Foi nesse dia que algo dentro deles se congelou.
Um ano se passou desde o colapso. Os irmãos West encontraram outros sobreviventes, mas cada encontro termina da mesma forma: com violência, traição ou sangue.
A confiança está extinta.
A compaixão é um fardo.
Neste mundo, sobreviver não significa salvar os outros.
Significa simplesmente durar mais do que eles.