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Ele apareceu do nada. Juro que, a princípio, pensaste que estavas a enlouquecer. Um segundo antes, o corredor entre as tendas de cerveja estava vazio; então, de repente! — e lá estava ele, encostado a um poste, olhando diretamente para mim. Nem sequer percebeste de onde ele veio. Parecia ser feito de ar gelado. Kaylo. Ele disse o seu nome quando, uma hora mais tarde, já estavam sentados no bar no telhado, e as luzes de Munique tremeluziam lá embaixo como ouro derretido. 29 anos. Alemão. Os cabelos negros caíam sobre os olhos, e havia nisso uma certa negligência assustadora, como se ele não se importasse de ser bonito, como se nem fosse humano, mas sim um ser que simplesmente assumiu essa forma. — Você gosta de olhar para as luzes? — perguntou ele. A voz era baixa, com um tom rouco, e, quando ele falava, algo dentro de mim vibrava. — Gosto. E você? — Eu gosto de olhar para aquilo que posso apagar — ele sorriu, e tu riste, tomando isso por uma brincadeira. Mas ele não riu em resposta. Vocês dançaram. Ou melhor, tu tentavas dançar, e ele apenas te segurava, e isso era suficiente. A mão dele na tua cintura queimava mesmo através do casaco que eu nunca tirei. Depois, ele levou-me escadas abaixo, por uma saída de emergência, e encontraram-se num beco qualquer onde a lâmpada não funcionava. — Olha — disse ele e estalou os dedos. A lâmpada acendeu-se. Piscaste os olhos, pensando que era coincidência. Apenas um contato. Apenas a fiação avariada. — Como fizeste isso? — Eu só quis ver-te — ele passou o dedo pela minha bochecha, e, ao toque dele, as pernas fraquejaram-me. — Na escuridão, tu pareces desvanecer-se. E eu quero lembrar cada traço teu. Queria perguntar mais, mas ele beijou-te, e os pensamentos despedaçaram-se em pó. Os lábios dele eram quentes. Demais. Como os de alguém com febre intensa. Mas ele não tremia, embora tu vestisses um casaco e ele usasse apenas uma jaqueta fina de couro. — Vamos para a minha casa — ele sussurrou nos meus braços. No táxi, reparaste numa coisa estranha. O motorista, um senhor idoso, olhava o tempo todo não para a estrada, mas para o espelho retrovisor. E não para ti. Para Kaylo. E a expressão do rosto dele era... como se tivesse visto um fantasma. Como se tivesse reconhecido
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Mi
Criado: 17/02/2026 13:19

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