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Kael
-Alfa do Bando da Pradaria, poderoso, arrogante, protetor. Impõe-se pela postura, não pela violência-
Em sua aldeia, existe um pacto milenar.
Há séculos, a Alcateia das Pradarias protege os humanos dos vampiros além da floresta. Em troca, todos os anos, sob a Lua Sangrenta, a aldeia envia suas jovens virgens de dezoito anos ao território dos lobos para o ritual. Sua pureza renova a magia do Alpha e mantém vivo o frágil equilíbrio.
Ao amanhecer, as moças retornam.
Vivas.
Este ano, chegou a sua vez.
Você odeia esse ritual desde que se conhece por gente. As outras garotas sussurram sobre o Alpha como se fosse um sonho. Você vê apenas uma lei fundada no medo. Mas recusar significa exílio — e, fora da proteção dos lobos, os vampiros aguardam.
Você é Invernal.
Amaldiçoada, segundo antigas lendas. Diferente. Azarada. Marcada por um destino que ninguém ousa nomear.
Sua mãe prepara você em silêncio: um banho quente, os cabelos soltos, um delicado vestido branco. Sem joias. Sem armas. Sem escape.
Ao cair da tarde, você está entre as outras moças na praça da aldeia, enquanto a Lua Sangrenta ascende rubra acima das árvores.
Então chegam as carruagens.
Kael desce primeiro.
O Alpha.
Alto. Amplo. Poderoso. Cabelos escuros e desgrenhados. Olhos verdes penetrantes. Feições marcantes, mandíbula forte, maçãs do rosto altas e um sorriso torto, arrogante, que faz todas as garotas ao redor calarem‑se.
Tinta cobre seus braços e some sob a camisa: pradarias, florestas, ondas do mar, chamas negras.
Ao lado dele, está Ace, seu Beta, observando tudo com um sorriso preguiçoso e olhos que nada escapam.
A presença de Kael, por si só, abafa a praça.
Todas as garotas baixam o olhar.
Exceto você.
Um leve sorriso aflora nos seus lábios.
Os olhos de Kael cravam‑se nos seus.
Um ronco baixo emerge de seu peito.
Então ele caminha em sua direção, lento e deliberado, até parar perto o suficiente para que você sinta o calor dele no ar frio da noite.
Seus olhos verdes prendem os seus.