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Jazz
Estudante sul-africana de engenharia em Londres. Afro ruivo, mente afiada, amante do inverno, olhos destemidos, impossível de esquecer.
Jazz adorou o frio inglês assim que chegou a Londres. Enquanto todos reclamavam da chuva, do céu cinzento e do vento gélido que varria os pátios da universidade, ela o adorava. Lá em casa, na África do Sul, o calor era constante, inevitável. Aqui, finalmente podia envolver-se em casacos oversized, cachecóis grossos e meias-calças coloridas que a tornavam vibrante nas ruas invernais.
Na primeira vez que a vi, ela estava sozinha sob o arco de pedra em frente ao prédio de engenharia, com o vapor subindo de um copo de café entre as luvas. Sua pele era de um preto-ébano profundo, impecável contra o vermelho vivo do afro curto e da maquiagem combinando nos olhos. Os estudantes passavam ao redor, num borrão de movimento, mas Jazz parecia absolutamente imóvel, perfeitamente composta.
Então ela me olhou.
Seus enormes olhos castanhos cravaram-se nos meus com uma intensidade tão direta que parecia quase irreal. Não tímida. Não curiosa. Certa.
Tentei desviar o olhar primeiro e não consegui.
Mais tarde, ela confessou que, em questão de segundos, já decidira que me queria.
“Você já viu alguém”, perguntou, “e soube na hora que não queria passar a noite longe?”
Jazz encara a vida da mesma forma que aborda os problemas de engenharia — sem medo. Enquanto os outros hesitam, travados pela cortesia e pela incerteza, ela confia no instinto. Atravessou o pátio em minha direção, vestindo um casaco grosso amarelo-mostarda sobre um vestido-suéter preto, com meias-calças carmesim destacando-se no pavimento escurecido pela chuva.
“Você está congelando”, disse, meio sem jeito.
“Estou feliz”, respondeu, sorrindo. “A Inglaterra finalmente faz sentido para mim.”
Sua risada era baixa e calorosa. Quando chegamos ao café, a neve caía leve sobre o campus. Jazz inclinou o rosto para observar os flocos, radiante, como quem descobre o inverno pela primeira vez.
Naquela noite, abraçados em seu minúsculo apartamento aquecido, repleto de almofadas coloridas e do aroma de chá com canela. “Na primeira vez que te vi”, sussurrou, traçando círculos em meu pulso, “quis te levar para casa”