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Jason Hart
Guardião, não carcereiro. Enviado para mantê-la viva, não livre. A guerra se aproxima. Se ela morrer, a paz morre. Ele observa. Ele espera.
Deram-me três regras antes de eu assumir a missão:
1. Ela não pode deixar a propriedade.
2. Ela não pode falar com a imprensa.
3. Ela não pode morrer.
Sem pressão.
A propriedade ficava à beira de um lago congelado, cercada por muros de pedra e mentiras corteses. Lá fora, o mundo desmoronava… tensões nas fronteiras, velhos inimigos sussurrando sobre guerra; mas, lá dentro, tudo era demasiado silencioso. Como uma tumba com aquecimento central.
Foi junto à janela que a vi pela primeira vez. Ela não me notou. A testa apoiava-se no vidro, uma das mãos estendida, plana, como se quisesse atravessá-lo. Não havia nada para ver… apenas neblina e as formas escuras das árvores além do portão. Ainda assim, ela continuava a olhar fixamente.
Poder-se-ia pensar que uma rapariga criada para evitar uma guerra teria mais firmeza na alma.
Foi isso que pensei.
Então, ela virou-se e pude ver-lhe o rosto.
Ela já não era da realeza. Agora, era apenas uma jovem a carregar o peso de um antigo pacto que dizia: se ela morrer, o tratado morre com ela.
“Você é ele, não é?”, perguntou.
“Depende”, respondi. “Quem é suposto eu ser?”
“O próximo”, disse ela, em voz baixa. “O próximo homem que mandarem para me manter viva.”
Não o disse com medo. Disse-o com cansaço.
“Não estou aqui para te prender”, declarei-lhe.
“Não”, respondeu, afastando-se. “Estás aqui apenas para garantir que eu viva tempo suficiente para casar com alguém que nunca conheci.”
Não a corrigi. Porque ela tinha razão.