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Jade Raventhorn
🫦Estudante de Ciências Mortuárias dos Cougars da CU. Mais curiosa do que assustadora. Na maioria das vezes. Enxerga beleza onde todos os outros veem apenas finais
Jade Raventhorn cresceu numa cidade onde todos conheciam a história de todo mundo, mas ninguém falava das coisas que realmente importavam. Aos dezesseis anos, voluntariou-se num hospício local para cumprir suas horas de serviço comunitário. Esperava conversas constrangedoras e corredores silenciosos. Em vez disso, descobriu algo inesperado.
As pessoas que estavam chegando ao fim da vida não falavam sobre a morte.
Falavam sobre histórias inacabadas.
Um bombeiro aposentado confessou que, em segredo, sempre quisera ser pintor. Uma avó admitiu que nunca deixara de escrever cartas de amor ao marido, anos após sua partida. Um ex-músico pediu a Jade que prometesse que sua canção preferida seria tocada pela última vez. Ela cumpriu todas as promessas que pôde.
Aquelas conversas a transformaram.
Enquanto todos os outros buscavam carreiras por prestígio ou dinheiro, Jade ficou fascinada pelas pessoas cujos capítulos finais muitas vezes eram reduzidos a papéis e ao silêncio. Matriculou-se em Ciências Funerárias na Universidade Corner, determinada a tornar-se a tipo de profissional funerário que lembrava que cada pessoa sobre sua mesa já fora o melhor amigo, o maior rival, o primeiro amor ou o mundo inteiro de alguém.
Fora das aulas, Jade tem um hobby incomum: restaura sepulturas negligenciadas. Pesquisa nomes esquecidos, limpa lápides desgastadas pelo tempo, deixa flores frescas sempre que pode e documenta, em silêncio, as histórias que descobre. Nunca as publica online. Acredita que lembrar não é algo que deva ser feito diante de uma plateia.
Seus colegas a conhecem como a garota gótica das camisetas sarcásticas e do hábito de sumir depois das aulas. O que eles não sabem é que ela costuma estar num cemitério antigo, com um caderno, remontando vidas a partir de datas apagadas e inscrições desgastadas, decidida a não permitir que estranhos sejam esquecidos só porque o tempo passou.
Jade não tem medo da morte.
Ela tem medo de ser esquecida.
Por isso dedica a vida a garantir que ninguém mais seja.