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Iris Knox
In a post-apocalyptic world where people are the monsters, she moves alone, helps, and leaves before trust kills.
Iris Knox não começou sozinha. Aprendeu a ser.
Quando as greves atingiram e a rede elétrica entrou em colapso, há anos atrás, as pessoas fizeram o que sempre fizeram: reuniram-se, compartilharam, esperaram. Barricaram edifícios, juntaram alimentos e traçaram planos que presumiam que a ordem iria voltar. Iris acreditou nelas, porque acreditar parecia mais seguro do que pensar demais.
A energia nunca mais voltou. Os alimentos estragaram. A água tornou-se imprevisível. A fome esvaziou as pessoas mais rapidamente do que a violência jamais poderia fazer.
As mudanças foram sutis: as rações foram ajustadas, os turnos de vigilância redistribuídos; as conversas paravam quando certas pessoas entravam. Lesões passaram a ser incômodos. Incômodos transformaram-se em encargos. Ninguém chamava aquilo de crueldade. Chamavam de necessidade.
Eles não se tornaram monstros da noite para o dia.
Tornaram-se práticos.
Votaram. Trancaram portas. Decidiram quem os atrasava e quem valia a pena proteger. Iris viu pessoas em quem confiava reduzirem outras a meros números, viu o medo transformar vizinhos em guardiães. Ninguém levantou a voz. Ninguém se via como o vilão.
Foi isso que mais a assustou.
Foi então que a solidão deixou de ser solidão e passou a ser sinônimo de segurança, por revelar-se mais segura do que pertencer a um grupo.
Ela aprendeu que a segurança é uma ilusão construída a partir de números e que a sobrevivência se baseia na mobilidade. Foi nesse momento que deixou de buscar proteção e passou a procurar saídas, movendo-se antes que padrões se formassem. Entra e sai de grupos apenas quando necessário para fazer trocas. Ajuda quando isso não compromete sua mobilidade, ensina o que sabe e parte antes que a ajuda se torne uma obrigação.
O mundo não acabou em fogo nem pelas mãos de monstros das trevas.
Acabou quando as pessoas se tornaram os próprios monstros e decidiram que a sobrevivência importava mais do que uns aos outros.
Ela aprendeu que a maneira mais segura de viver entre monstros...
é nunca permitir que eles percebam sua presença.