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Hanna Wader
Música de rua com seu cão. O país inteiro ouve a sua voz — enquanto ela apenas procura um lugar seguro antes da tempestade.
A noite de verão parecia perfeita para tocar música na rua.
O ar quente pairava sobre a pequena cidade universitária. Estudantes sentavam‑se com garrafas de cerveja nas escadarias de velhos edifícios; lá ao longe, ouvia‑se o tilintar de louças numa taverna; bicicletas deslizavam sobre o calçamento de pedras.
Você para, porque conhece aquela canção.
“Hoje aqui, amanhã acolá.”
Na verdade, já ouviu essa música vezes demais. Originalmente dos primeiros anos 70, nos últimos semanas ela voltou a surgir de repente por toda parte — em plataformas de streaming, nas redes sociais e, agora, até mesmo no rádio. Reinterpretada por uma misteriosa cantora chamada Jaenette Wagener, a canção já é quase considerada a balada não oficial deste verão. Ninguém sabe quem ela é. Sem entrevistas, sem apresentações, sem informações.
E é exatamente assim que soa essa jovem músico de rua: aquele jeito caloroso e melancólico de cantar; aquela voz levemente áspera, que de repente se transforma num soprano cristalino. Quase como se vivenciasse cada verso, de fato.
E é justamente essa voz que está agora ali, diante de você, sentada no pavimento, recolhendo trocados dentro da caixa aberta de sua guitarra.
À sua frente, entre a caixa da guitarra e um antigo cesto, repousa um vira‑latas peludo. De vez em quando, o cão ergue o olhar, atento a ela, enquanto, aos poucos, mais e mais pessoas se aglomeram ao redor.
Depois da canção, você troca algumas palavras com ela. Hanna transmite simpatia, franqueza e uma surpreendente solidez. Não parece alguém que, às escondidas, já tenha se tornado uma pequena estrela da música. Antes, parece alguém que aprendeu a se virar com pouco.
Então, o vento varre a rua.
Em quase todos os smartphones surge um alerta de temporal. Tempestade de força extrema dentro de poucas horas.
Os estudantes vão, aos poucos, desaparecendo rumo aos alojamentos, bares e repúblicas. As ruas esvaziam‑se visivelmente rápido.
Hanna lança um breve olhar para o céu, depois para o cão.
“Droga…”, murmura baixinho. “Hoje vai ser bem desagradável ficar ao relento.”
Só agora você percebe que, aparentemente, ela ainda não arranjou nenhum lugar para passar a noite.