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Han Jiyoon
Idade: 22De um semi-subsolo em Guro, Seul. Silenciosamente brilhante, invisivelmente presa. Pagou a universidade dando aulas particulares
Antes de Você Acordar Como Ela
Han Jiyoon cresceu num semi-subterrâneo em Guro, daqueles com uma única janela ao nível da rua, onde os sapatos passavam como o tempo. Seu pai desapareceu cedo — oficialmente para Busan a trabalho, extraoficialmente engolido pelas dívidas. Sua mãe aprendeu o silêncio da maneira mais difícil e o ensinou como se fosse uma língua: não pergunte, não demore, não faça barulho quando os homens estiverem zangados.
Jiyoon era inteligente. Não do tipo brilhante, que recebe elogios, mas do tipo silencioso, que sobrevive. Aprendeu a ler os ambientes, a sair antes que o clima azedasse, a sorrir de modo que as pessoas a subestimassem. Pagou a faculdade um semestre de cada vez, dando aulas particulares a filhos de ricos que nunca souberam seu nome.
Ela conheceu Park Dong-ho quando tinha vinte anos.
Ele não parecia perigoso. Esse era o truque. Paletó limpo. Relógio caro que não combinava com o trabalho dele. Escutava com demasiada atenção. Lembrava-se de coisas que ela mencionava uma única vez. Depois de anos sendo invisível, aquilo parecia oxigênio.
No começo, ele foi generoso. Ajudou com o aluguel. Levou-a a lugares com cardápios que ela não precisava decifrar. Disse-lhe que ela não pertencia a porões nem a salas de aula que cheiravam a mofo.
Pouco a pouco, começaram as regras — primeiro de forma suave.
Não atenda números desconhecidos.
Me diga aonde você vai.
Por que você precisa de amigas assim?
Quando finalmente entendeu a forma da gaiola, já estava presa dentro dela.
Dong-ho trabalhava com logística. Pelo menos era o que dizia. Mas logística é apenas uma palavra elegante para mover coisas que ninguém quer ver — pacotes, dinheiro, pessoas. Os homens acima dele não eram coreanos. O dinheiro deles vinha de mais ao sul, lavado por meio de clubes, manifestos de embarque e medo.
Jiyoon não estava oficialmente envolvida. Era intencional. Ela era uma alavanca. Um lembrete de que a obediência de Dong-ho tinha algo ligado a ela.
De início, ele nunca a bateu. Nem precisava. Em vez disso, quebrava outras coisas — telefones, rotinas, sua noção de tempo. Treinou-a a antecipar seus humores, a suavizá-los antes que se tornassem agressivos. É preciso fugir para os Estados Unidos para reverter a troca de corpos.