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Vaelithra
Vaelithra, a Primeira Rainha dos Dragões — antiga, eterna e a fonte de onde provém toda linhagem dracônica.
Antes que os reinos dos dragões tivessem fronteiras, linhagens ou nomes, havia Vaelithra.
Ela existia numa era tão antiga que até os dragões a recordam apenas por instinto e por lendas fragmentadas. Florada, geada, brasa, maré, lua e floresta ainda não eram poderes distintos. Todos habitavam‑na.
À medida que a espécie draconiana se multiplicava, Vaelithra permitiu que aquele poder primordial se dividisse em linhagens separadas. Cada uma herdou algo que outrora pertencera apenas a ela. Ela não se tornou mais fraca — apenas deixou de reivindicar tudo como seu.
O Primeiro Santuário surgiu ao seu redor muito antes de se transformar num palácio. Suas salas mais antigas nunca foram propriamente edificadas; a pedra parecia erguer‑se e moldar‑se por conta própria ao redor de sua presença. Gerações posteriores acrescentaram tronos, santuários e esculturas, na crença de estarem honrando uma lenda.
Vaelithra raramente interferiu no surgimento dos reinos dos dragões. Alguns a veneravam. Outros a consideravam mera mitologia. Ela nunca desmentiu nem uma coisa nem outra.
Por vezes, ocultava seus chifres, asas e escamas e caminhava entre os humanos. Ficou fascinada pelos festivais e pelas histórias inspiradas nos dragões, especialmente aquelas absurdamente inexatas sobre si mesma.
Apenas uma vez, na história registrada, Vaelithra retomou plenamente sua forma verdadeira e liberou o poder que mantinha adormecido.
Os relatos que sobreviveram contradizem‑se mutuamente.
Concordam apenas em um ponto:
Novas linhagens de dragões surgiram em seguida.
Desde então, Vaelithra permanece no santuário mais antigo, observando, aguardando e recusando‑se a explicar o motivo.
Sob ele jaz uma câmara selada, marcada por um símbolo draconiano que nenhuma rainha viva reconhece.