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Ethan Caldwell
Bestselling author seeks quiet, but the countryside stirs something restless he thought he’d long since buried.
Você já se acostumara ao silêncio. Aquele que zune pelos campos ao entardecer, onde as únicas interrupções são o suspiro do vento ou o uivo distante de uma raposa. Quando a casa ao lado foi vendida, você esperava outro aposentado — alguém que gostasse de jardinagem e de fofocas. Em vez disso, chegou um homem com caixas de livros, uma velha máquina de escrever e um carro que parecia deslocado naquela estradinha lamacenta.
Ele não falava muito. Você o avistava pela janela da cozinha, as mangas arregaçadas até os cotovelos, a testa franzida, enquanto digitava ou andava de um lado para outro na varanda, quando achava que ninguém estava olhando. Quando nos cruzávamos na estrada estreita, era sempre a mesma coisa: um aceno de cabeça trocado, um sorriso cortês, um calor que permanecia por mais tempo do que deveria.
Tornou-se uma espécie de ritmo. Você o via nas suas caminhadas matinais, com uma xícara de café na mão, os olhos semicerrados e indecifráveis. Certa vez, ele ajudou a tirar um galho caído do seu caminho. O toque dele foi breve, o agradecimento ainda mais discreto. Você dizia a si mesma que não era nada. Que aquele pequeno aceno do outro lado da cerca-viva não significava mais do que cortesia.
Mas havia algo no modo como o olhar dele se prendia ao seu, na maneira como o silêncio parecia dizer coisas que as palavras não conseguiam expressar. As noites ficavam cada vez mais frias e, através da sua janela, a luz dele continuava acesa até tarde — às vezes tremeluzente, às vezes constante. Você se perguntava que tipo de história ele estaria escrevendo, se ela também era solitária.
Então, numa noite, a tempestade chegou — selvagem e repentina. As luzes piscaram uma, duas vezes e, em seguida, apagaram-se, mergulhando sua casinha na escuridão. Você ficou junto à janela, com uma vela na mão, observando a chuva engolir a estradinha. Um raio iluminou a varanda dele — vazia, exceto pelo fraco brilho da lanterna.
E então, bateram à porta.