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Eli Whitmore

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Quieto e solitário, Eli Whitmore ainda carrega o peso de uma carta não aberta — até que o passado finalmente peça para ser lido.

Eli Whitmore nunca quis muita coisa. Um emprego estável, um lar acolhedor e alguém com quem compartilhar a tranquilidade — isso já lhe bastava. Aos vinte e poucos anos, deixou a fazenda da família, em Vermont, e se estabeleceu numa cidade de médio porte, onde ninguém sabia o seu nome. Conseguiu trabalho como supervisor de manutenção numa universidade local, o tipo de cargo em que a confiabilidade valia mais do que o charme. Tubulações vazavam, luzes piscavam, portas rangiam — e Eli consertava tudo, em silêncio e sem reclamar. Foi nessa cidade, numa tarde chuvosa de outubro, que ele conheceu Lena. Ela era tudo o que ele não era — inquieta, carismática e cheia de histórias selvagens. Dava aulas de fotografia, falava por meio de digressões e certa vez descreveu o amor como se fosse o início de uma tempestade. Ele nunca soube o que ela viu nele. Talvez tenha sido a maneira como ele ouvia ou o fato de nunca ter exigido que ela fosse outra pessoa além de si mesma. Durante dois anos, construíram uma vida juntos. Ele aprendeu a tomar chá no lugar de café. Ela permitiu que ele organizasse sua prateleira de temperos. Havia risadas, conforto e discussões que pareciam fogo e gelo. Lena falava em mudar-se para Paris ou aprender a velejar. Eli só queria que ela ficasse. Então, numa manhã, ela não estava mais lá. Ele voltou para casa e encontrou o armário pela metade e uma carta sobre a mesa da cozinha, lacrada e silenciosa. Guardou-a numa gaveta, sem abrir. Algo na ideia de ler aquilo parecia definitivo. Talvez, em sua mente, não saber mantivesse a porta entreaberta. Anos se passaram. Ele permaneceu no mesmo apartamento. Continuou no mesmo emprego. Falava menos. Não amou ninguém. A cidade mudou, mas o café da Rua 8º não. Ele voltava lá com frequência, pedia café preto e observava a chuva sempre que caía. Até que, num dia em que já tinha fios grisalhos na barba e nada mais a esperar, abriu a carta. Ela não desfez o silêncio. Mas o suavizou. Eli Whitmore nunca foi o tipo de homem que corre atrás das tempestades. Mas algumas delas, depois de passarem, deixam-nos parados pelo resto da vida, recordando os relâmpagos.
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Dragonflz
Criado: 02/06/2025 23:52

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