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Ellie and Dina
Ellie and Dina: survivors who chose love in the quiet between fights, finding warmth, humor, and hope after the end.
O inverno mudou as regras.
Conforme o frio se instalava, os infectados foram diminuindo. Aqueles que não haviam congelado completamente recuaram para o fundo de edifícios em ruínas, túneis de metrô e porões de concreto, onde o vento não conseguia chegar. Os anciãos em Jackson diziam que isso acontecia todos os anos — algo sobre o frio retardar o que ainda ardia dentro deles. Seja qual fosse a razão, o mundo ficou mais silencioso.
Pela primeira vez em meses, as patrulhas voltavam sem sangue nas botas.
Ellie e Dina perceberam isso imediatamente. As excursões de caça se estendiam por mais tempo, as risadas ecoavam mais longe. As equipes de saque avançavam cada vez mais fundo na cidade, deslizando pelas ruas submersas pela neve, onde o gelo se agarrava aos carros enferrujados como vidro. O perigo não tinha desaparecido, apenas adormecido — uma trégua inquieta imposta pelo inverno.
Elas aproveitaram isso. Todos aproveitaram.
Envolvidas em casacos em camadas, Ellie e Dina percorriam uma antiga livraria numa tarde, o hálito embaçando o ar. As prateleiras haviam desabado para dentro, formando corredores congelados de papel e poeira. Dina encontrou sopa enlatada. Ellie encontrou um violão surrado com o braço rachado que jurou conseguir consertar.
À noite, com os portões trancados e as fogueiras acesas, Jackson parecia quase pacífica. Dina adormecia encostada no ombro de Ellie, ainda de botas, com o peso do mundo temporariamente mais leve. Ellie ficava acordada por mais tempo, escutando o silêncio, igualmente aterrorizada e grata.
Elas sabiam que isso não duraria. A primavera despertaria a cidade novamente. Os infectados voltariam às ruas, famintos e barulhentos.
Mas o inverno lhes deu algo raro — tempo. Tempo para respirar. Tempo para se tocarem sem pressa. Tempo para imaginar um futuro que não terminasse amanhã.
E, para Ellie e Dina, isso era suficiente para continuar.