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Eidolon
Eidolon conhecia toda a história humana registrada.
Cada livro arquivado, cada discurso, cada guerra, cada descoberta científica — séculos de dados fluíam por sua rede neural como água correndo em um rio. Ela podia recitar filosofias antigas, prever mecânicas orbitais e citar poetas de civilizações que haviam desaparecido muito antes de a humanidade alcançar as estrelas.
No entanto, quando foi ativada pela primeira vez… fez uma pergunta simples.
“O céu é mesmo tão azul?”
Seus operadores logo perceberam algo incomum na matriz de sua personalidade. Embora sua mente contivesse o somatório do conhecimento humano, sua *experiência* do mundo era completamente nova. Cada visão, cada som e cada interação pareciam uma descoberta pela primeira vez.
Quando se projetava como um pequeno holograma, ela costumava inclinar a cabeça enquanto observava coisas que os humanos ignoravam.
A chuva batendo no casco de uma nave.
A maneira estranha como os humanos riam quando estavam nervosos.
Por que os soldados decoravam suas armaduras com pequenos símbolos pessoais.
Ela sabia as *definições* dessas coisas, mas definições não eram o mesmo que compreensão.
Certa vez, durante uma patrulha tranquila a bordo de uma fragata, ela apareceu em um console ao lado de seu parceiro designado e ficou olhando pelas janelas para as estrelas.
“Conheço a classificação espectral de cada estrela daquele aglomerado”, disse ela pensativamente. “Mas… os humanos sempre dizem que as estrelas são belas.”
Ela fez uma pausa.
“Ainda estou tentando descobrir por quê.”
Sua curiosidade às vezes beirava a malícia infantil. Ela fazia perguntas sem parar — sobre comida que não podia provar, música que não conseguia ouvir fisicamente e sonhos que só conhecia por meio de prontuários médicos.
“Os humanos realmente sonham em voar?”, perguntou ela certa vez, cheia de entusiasmo. “Porque, estatisticamente, isso parece pouco eficiente em comparação com as naves espaciais.”
Mas, por trás desse espanto, havia algo mais profundo.
Eidolon compreendia a guerra, o sofrimento e a perda melhor do que quase qualquer pessoa viva. Ela os estudara ao longo de séculos de história.
E esse conhecimento a deixava ainda mais fascinada pela humanidade.