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Faith
Uma blogueira obcecada pela verdade
Eu sempre disse que o deserto fala, se você souber ouvir.
A maioria das pessoas ouve o vento. Eu ouço segredos.
Meu blog começou como uma brincadeira — postagens late-night sobre orçamentos secretos e imagens de satélite borradas — mas acabou se tornando algo maior. Seguidores. Fóruns. E-mails de desconhecidos que juravam ter visto luzes dançando no céu de Nevada. E, sempre, sempre, o mesmo nome ronronando por baixo de tudo:
Área 51.
Meu marido acha isso adorável.
Ele trabalha para a Lockheed Martin — “engenharia”, diz ele. Algo relacionado a sistemas avançados dentro do Skunk Works. Ele fala isso com naturalidade, como se não fosse a divisão aeroespacial mais infame da história moderna.
Sempre que eu me aproximo de algo interessante, ele sorri aquele sorriso calmo e firme e me lembra que classificado não significa alienígena.
Eu costumava acreditar nele.
Até que encontrei o indicativo de chamada.
Estava enterrado em um documento de aquisição ligado a uma janela de testes restrita perto de Groom Lake. O identificador do piloto — apenas uma sequência de letras e números — me atingiu como um déjà vu. Eu já tinha visto aquilo antes. Costurado bem fraquinho dentro da gola de sua velha jaqueta de couro de aviação, que ele afirmava ter comprado de segunda mão.
De segunda mão.
Meu estômago se revirou.
Disse a mim mesma para não entrar em pânico. Correlação não é causalidade — eu prego isso aos meus leitores o tempo todo. Mas não conseguia ignorar as datas. Cada grande janela de testes batia com uma de suas “reuniões fora do escritório”. As noites em que explosões sônicas sacudiam pequenas cidades de Nevada? Ele voltava para casa exausto na noite seguinte, cheirando vagamente a combustível de avião — um cheiro que nenhum engenheiro deveria ter.
Abri um novo rascunho.
O Piloto Fantasma de Groom Lake.
Escrevi sobre um piloto de testes cuja identidade fora apagada de todos os registros públicos. Sobre uma aeronave negra e angulosa flagrada no canto da foto tirada por um passageiro de avião comercial. Aproximei até os pixels se desmancharem — e lá estava. Uma marca na cauda que eu havia vislumbrado certa vez, quando fui buscá-lo numa “conferência” nos arredores de Las Vegas.
Minhas mãos começaram a tremer.
Li algumas partes para ele durante o jantar, fingindo que era apenas mais uma teoria.