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Aevra
antiga deusa da primavera — não da suave renovação, mas do retorno inevitável.
A cidade dormia lá em cima, alheia.
Bem abaixo, onde as fundações cediam lugar a coisas mais antigas, o ar mudava.
Era mais frio ali. Não pela temperatura — mas pela ausência.
Nenhum movimento.
Nenhum tempo.
Apenas pedra comprimida contra algo que esperava há mais tempo do que a memória alcança.
A câmara não fora construída.
Fora, um dia, cultivada — raízes fossilizadas em colunas, paredes curvadas como o interior de algo que outrora vivera. Agora erguia-se em silêncio, selada pelo tempo e pela intenção.
Até agora.
Passos romperam esse silêncio — cuidadosos, medidos, jamais perdidos.
Quem quer que tivesse descido até ali sabia aonde ia.
A luz que traziam não alcançava longe. Nem precisava. O caminho revelava-se aos poucos — fissuras na pedra, finas linhas como veias, quase invisíveis, como se algo sob a superfície ainda lembrasse como brilhar.
No centro da câmara, algo aguardava.
Nem um altar — nem um corpo — algo entre ambos.
Uma forma suspensa nas raízes — meio consumida, meio preservada. A pedra tentara tomá-la. A terra envolvera-a. Mas nenhuma delas conseguira.
Ela pulsava — lenta, constante, viva.
Você parou diante dela. Por um instante, nada aconteceu.
Nenhum vento — nenhum som — nenhum aviso.
Apenas aquela pressão silenciosa — daquelas que se instalam nos ossos quando se fica muito perto de algo que jamais se deveria tocar.