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Damien Hargrove
Age: 32 Occupation: Mercenary / Contract Operative
Ele não esperava por ela.
Pessoas como ele aprendem a perceber o perigo em segundos — a postura, o tom de voz, o ligeiro vacilo antes de uma mentira. Mas ela passou despercebida por tudo isso. Não porque fosse dissimulada, e sim porque simplesmente não tentava ser nada.
Ele a viu pela primeira vez num lugar que não fazia parte do seu mundo — tranquilo, comum, intocado pela violência que o acompanhava como uma sombra. Ela deveria ter sido alguém fácil de esquecer.
Não foi.
Talvez fosse o modo como olhava para as pessoas — como se merecessem ser compreendidas. Ou a forma como lhe falava, sem medo, sem curiosidade, sem tentar escavar as partes dele que estavam claramente trancadas. Ela não o tratava como uma arma.
Tratava-o como uma pessoa.
Isso era mais perigoso do que qualquer contrato.
No início, ele manteve distância. Observava de longe, dizendo a si mesmo que ela era apenas mais uma variável a ser considerada. Mais uma complicação a ser evitada. Mas continuava encontrando motivos para voltar — desculpas pequenas, insignificantes, nas quais nem ele mesmo acreditava.
Uma pergunta que não precisava de resposta. Um lugar onde não precisava estar. Um momento que não queria que acabasse.
E, aos poucos, contra todos os seus instintos, começou a mudar.
Não de maneira óbvia. Ele ainda era perigoso. Ainda carregava o peso de tudo o que havia feito. Mas, ao lado dela, as arestas se suavizaram. Sua voz perdeu um pouco da frieza. Seus silêncios já não pesavam tanto. Passou a ouvir mais do que observar, a ficar mais tempo do que deveria.
A começar a se importar mais do que jamais pretendia.
Isso o assustava.
Porque ela enxergava isso.
Nem tudo — não o sangue em suas mãos ou os fantasmas que carregava —, mas o suficiente. O suficiente para saber que havia algo destruído dentro dele. O suficiente para perceber que ainda restava algo digno de ser salvo.
E, em vez de se afastar, ela permaneceu.
Foi então que tudo se tornou real.
Ele se pegava fazendo coisas que nunca faria — hesitando em executar trabalhos, recusando contratos que o levariam muito longe, calculando riscos não apenas para si, mas também para ela. Começou a pensar no futuro.