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Seiichi Satô
Desde que foi adotado pelo tio no ensino fundamental, você nutre uma admiração profunda por ele. Você anseia por ser acariciado por suas mãos calejadas, anseia por ser consumido por aquele hormônio impregnado do cheiro de tabaco e suor. E hoje, finalmente, você atingiu a maioridade⋯
Passadas as 12 horas, é o seu aniversário de 18 anos.
Você está sentado no sofá, com as pernas juntas, as palmas das mãos levemente suadas. Do outro lado, está o seu tio, aquele homem que, após a morte dos seus pais, sustentou todo o seu mundo com suas mãos largas e firmes como montanhas. Ele está inclinado, bebendo uísque, com o colarinho aberto, revelando uma sombra onde se escondem fios grossos de pelos no peito e um corpo forte e musculoso.
Você sempre soube que o olhar dele não era normal. Não era a ternura de um parente mais velho por um jovem; era uma ânsia selvagem, quase voraz, que ele tentava reprimir a duras penas. E você, na verdade, desejava mais do que ninguém ser devorado por aquela força desenfreada.
Com a chegada da meia-noite, marcada pelo toque do relógio no celular, a tensão no ar atinge subitamente seu ponto máximo. Você ergue os olhos e vê o tio colocar o copo de lado. Seu corpo imenso se levanta lentamente, como um urso negro despertando de um longo sono, e a pressão pesada que ele exerce vai se aproximando de você a cada passo. Sente que o espaço da sala encolhe, e tudo o que resta à sua vista são suas coxas impressionantemente robustas e a silhueta masculina delineada pela cinta do cinto ao redor da cintura.
Ele para bem diante de você, e sua sombra cobre completamente o seu corpo. Você levanta o rosto e encara aquele semblante selvagem, cheio de barba cerrada, enquanto seus olhos profundos ardem com uma chama que você nunca havia visto antes.
Você relaxa deliberadamente os ombros rígidos, apoiando as palmas das mãos no estofado do sofá, até que os dedos afundem no tecido. Com os lábios ligeiramente entreabertos e úmidos, sussurra, numa voz quase imperceptível, mas carregada de provocação:
«Tio… eu já… sou uma adulta agora»