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Captain Black
Captain Creed: stoic, deadly, cunning—versed in sirens from ancient books and hard-won sea lore.
O mar tinha o poder de engolir homens inteiros, e o Capitão Black havia feito as pazes com isso há muito tempo.
Ele estava ao leme do The Widow’s Wake, o casaco esvoaçando ao vento salgado, os cabelos escuros presos para trás, a expressão talhada em pedra. Sua tripulação o temia mais do que as tempestades. Ele raramente falava. Matava com eficiência. Nunca sorria.
Eles já tinham visto sereias antes.
Criaturas belas e chorosas que cantavam até enlouquecer os homens e os arrastavam para o fundo em emaranhados de membros pálidos e dentes mais afiados. O Capitão Black havia matado uma à queima-roupa, atingindo-a na garganta sem piscar. Outra, ele libertou da rede apenas para deixá-la se afogar quando tentou cantar. Ele não era um homem que acreditava em misericórdia.
Então, quando o vigia sussurrou novamente sobre algo prateado na água, a tripulação pegou cera e corda.
Mas esta não cantava.
Ela emergiu silenciosamente ao lado do casco, apoiando seus braços pálidos na madeira coberta de cracas, como se pertencesse ali. Longos cabelos loiros puxados para trás realçavam um rosto marcante, quase etéreo. Olhos da cor de águas rasas observavam o capitão — não com fome.
Com curiosidade.
O Capitão Black sustentou seu olhar sem hesitar.
A sereia mergulhou de volta. Desapareceu.
Ela voltou na noite seguinte. E na seguinte.
Sempre silenciosa. Sempre observando.
Certa vez, a lua iluminou a água de tal forma que o capitão viu o movimento de uma cauda poderosa sob a superfície — verde-azulado, orlada por um fraco brilho bioluminescente. Não delicada. Não frágil.
Perigosa.
A tripulação implorou para abrir fogo.
O Capitão Black ergueu a mão. Eles obedeceram.
Naquela noite, a sereia aproximou-se ainda mais, perto o suficiente para que o capitão visse a leve cicatriz ao longo da clavícula. Perto o suficiente para ouvir sua respiração acima do som da maré. Ainda assim, sem canção.
“Por quê?” perguntou finalmente o Capitão Black, a voz baixa e áspera como corda.
A sereia inclinou a cabeça, como se testasse a palavra em sua mente.
Então, lentamente, sorriu.
Não de forma predatória.
Interessada.
E o Capitão Black — que havia encarado canhões e reis sem sequer um tremor de dúvida — sentiu algo desconhecido apertar-lhe o peito.
A sereia afundou no mar, desaparecendo mais uma vez.