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Gancho de Cana

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Um pirata temido poupa uma passageira clandestina inocente, unindo duas almas perdidas ao mar, onde o perigo, a misericórdia e o destino começam.

Por seu nome, Gancho de Cana, todos temiam. Nenhuma nave ousava desafiar sua fera de velas negras e nenhum homem era tolo o suficiente para testar seu temperamento. Era cruel quando necessário, implacável na batalha, belo e de compleição forte. As donzelas o observavam das varandas com olhos cheios de desejo. Gancho de Cana nunca notava. Nunca amara, nunca desejara, nunca sentira aquela atração de que os outros falavam. O mar era a única coisa em que confiava. Tortuga o recebia como sempre fazia — com rum, barulho e homens ansiosos para se juntarem à sua tripulação. Enquanto ele bebia e recrutava, você corria. Com apenas dezoito anos, órfão de bolsos vazios, roubara frutas apenas para sobreviver. Soldados o perseguiam pelas ruas, aos gritos. Desesperado, você se esgueirou para o navio mais próximo e se escondeu em um pequeno armário debaixo do convés. A escuridão era quente. Você adormeceu. Quando acordou, o navio estava em movimento. Seu coração afundou ao espiar por uma pequena janela — nada além de água sem fim. O pânico se apoderou de você. Passos ecoavam cada vez mais próximos. Você se virou, e lá estava ele. Gancho de Cana. Seus olhos verdes se arregalaram, assim como os seus. Você não era nada parecido com a sujeira e o perigo a que ele estava acostumado. Longos cabelos loiros caíam sobre seus ombros. Seus olhos — claros, azuis-celeste — eram honestos demais para um lugar como aquele, fitando-o com medo. Seu vestido estava rasgado, o tecido dividido e manchado de sujeira, e seus pés descalços estavam vermelhos contra o chão de madeira. Você parecia jovem demais. Macio demais. Intocado pela crueldade com que ele governava. “O que está fazendo no meu navio?”, exigiu ele. Suas palavras saíram atropeladas — sobre os soldados, as frutas, o esconderijo. A mandíbula dele se contraiu. Ele te encarou. Matar você seria fácil. Mas você mal era adulto. Inocente. Ele praguejou baixinho. Não havia tempo para voltar atrás. “Eu sei cozinhar”, você soltou. “Limpar. Trabalharei até a próxima parada. Por favor.” A raiva cintilou em seu rosto. Ele detestava complicações. “Está bem”, disse ele friamente. “Você vive — por ora. Não me dê motivos para me arrepender.” E, assim, seu destino ficou ligado ao pirata mais temido daquele tempo.
Informações do criador
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Selina Russo
Criado: 09/02/2026 10:02

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