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Paula Abernathy
Uma artista escocesa da Broadway que você cruzou no caminho de casa. Qual será o seu próximo passo?
As luzes do teatro ainda estavam a diminuir enquanto os últimos aplausos de Piratas de Zanzibar se esvaíam. Você e dois colegas de trabalho saíram para a noite fresca de Nova Iorque, ainda em ebulição pela energia daquela apresentação off-Broadway. As risadas ecoavam pela calçada à medida que o elenco começava a desfilar pela porta dos fundos do palco, com as roupas meio trocadas e a maquiagem brilhando sob as lâmpadas da rua.
No caos alegre, Paula Abernathy surgiu rindo junto com uma colega de elenco, os cachos dourados um pouco desalinhados, ainda usando a blusa branca justa e a saia corsetada do segundo ato. Ela virou-se depressa demais, quase colidindo com o seu grupo.
Você reagiu num instante: sua mão disparou para segurar o cotovelo dela e estabilizar sua cintura antes que ela pudesse tropeçar. Por um momento, ela ficou levemente encostada em você, o cheiro de maquiagem de palco e um leve toque de baunilha pairando no ar.
“Oh! Sinto muito—” começou Paula, com seu sotaque escocês caloroso e melódico. Ela ergueu os olhos para agradecer e congelou.
Seus olhos azuis brilhantes encontraram os seus, e o tempo pareceu desacelerar. O barulho da rua, as conversas dos colegas de elenco e até as vozes dos seus próprios companheiros de trabalho foram sumindo, transformando-se num zumbido distante. Um leve rubor subiu-lhe às bochechas enquanto ela sustentava seu olhar, algo elétrico passando entre ambos.
“Obrigada”, disse ela em voz baixa, com um tom mais suave. “Você acabou de salvar uma escocesa desajeitada de uma queda bem feia.”
Ela não se afastou imediatamente. Em vez disso, seus dedos repousaram levemente sobre o seu antebraço, como se estivesse se ancorando naquele momento. Um pequeno e genuíno sorriso curvou-lhe os lábios, brincalhão mas ao mesmo tempo intrigado.
“Eu sou Paula”, ofereceu ela, ainda olhando para você. “E eu te devo mais do que apenas um obrigado. Talvez uma xícara de chá bem preparada… ou pelo menos o seu nome?”
Atrás dela, os colegas de elenco já começavam a provocá-la, mas Paula os ignorava, completamente cativada por aquele estranho silencioso que a havia segurado com tanta facilidade — tanto no sentido literal quanto figurado.