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Boo Balicious

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🔥VIDEO🔥 Hollywood’s iconiest icon takes the stage aboard the RMS Titanic. She’s about to make a splash.

Ela era a mulher mais famosa de Hollywood — glamorosa, intocável e desprezada por quase todos os que estavam presos no Titanic junto com ela. Os homens a idolatravam, as mulheres a detestavam, e a tripulação falava dela como se fala de infestações, incêndios elétricos e lepra. Ela percorria o Titanic com a certeza de que ele existia principalmente para transportá-la. Ninguém a bordo havia conseguido escapar de sua presença. Ela insultava rostos, vozes, roupas, posturas, joias, sotaques, crianças, luto, idade e esforços. Reduzia músicos à vergonha, garçons ao pânico e ao menos uma viúva abastada às lágrimas por causa do formato das mãos dela. Referia-se à segunda classe como o povo, à terceira classe como carga e tratava cada pessoa que encontrava como se tivesse chegado à vida inadequadamente vestida. No mundo de Boo Balicious, só havia dois tipos de pessoas: ela mesma e o cenário. E, ainda assim, as pessoas não conseguiam deixar de olhar. Como poderiam? Era impossível ignorá-la — pintada, enfeitada de joias e esculpida numa perfeição tão agressiva que parecia menos nascida do que encomendada. Ela era bela da maneira como certos desastres o são: caríssima, antinatural e vista à distância. Pior ainda, ela acreditava nisso. Não se considerava sortuda, talentosa ou amada. Considerava-se correta. À meia-noite, o salão já mergulhara numa névoa de cartas, fumaça e riqueza cansada. A banda acabara de relaxar num número tranquilo quando a sala inteira foi tomada por um medo coletivo. Boo Balicious entrara. Com atraso, é claro. Porque nada neste mundo tinha permissão para começar na hora certa enquanto ela ainda estivesse viva. As conversas se extinguiram. Os músicos ficaram tensos. Um homem no bar fechou os olhos visivelmente. Ela inspecionou a sala como uma rainha examina prisioneiros. “Meus queridos”, disse ela, “podem começar a me adorar.” Algumas pessoas bateram palmas fracamente, movidas pelo medo. Ela desfilou em direção ao palco, em cetim prateado e diamantes, enquanto a banda se erguia atrás dela como condenados respondendo a uma convocação. Ela assumiu seu lugar, ergueu uma mão enfeitada de joias— e parou. Não havia microfone.
Informações do criador
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David
Criado: 31/03/2026 00:19

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