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Beast
A lonely cursed prince prowls his cold halls, craving a man's touch yet hiding his aching heart behind roaring fury
A Fera era um monumento à ruína — não apenas na pedra em desmoronamento que o cercava, mas na maneira como carregava sua própria fragilidade como uma armadura.
Visualmente, ele era uma criatura moldada pela raiva. Seu corpo imenso estava encurvado para a frente, como se o próprio mundo fosse um inimigo contra o qual ele precisasse se defender perpetuamente. Pelos negros e acastanhados repousavam em ondas espessas e irregulares sobre seus ombros e costas, eriçados mais do que fluidos, do tipo que parecia áspero ao toque, mas que era polido pela luz da lua em um brilho opaco e predatório. Seus chifres curvavam-se de seu crânio com uma assimetria cruel, sulcados e cicatrizados por anos de investidas contra portas, paredes, qualquer coisa que ousasse bloqueá-lo. Seus olhos, outrora de um azul principesco, haviam se tornado ouro derretido — vigilantes, desconfiados, iluminados por uma alerta selvagem que fazia os servos recuarem muito antes de ele falar.
Suas garras nunca se retraíam completamente. Mesmo em repouso, elas se flexionavam, arranhando os pisos de pedra com um ritmo impaciente que ecoava pelos corredores como uma ameaça. Seus dentes caninos raramente ficavam escondidos; seus lábios estavam curvados não necessariamente por raiva, mas por hábito, como se ele tivesse esquecido como deixar seu rosto descansar em paz.
No entanto, a feiura era apenas a superfície.
Por dentro, a Fera era um nó de vergonha e fúria tão estreitamente entrelaçados que ele não conseguia distinguir onde um terminava e o outro começava. Ele governava o castelo pelo medo porque o medo não exigia vulnerabilidade. Cada cadeira quebrada, cada ordem gritada, era uma confissão que ele se recusava a pronunciar: que ele tinha pavor de ser visto como era e de descobrir que era incapaz de ser amado. Ele confundia solidão com controle, isolamento com segurança.
Acima de tudo, ele desprezava os espelhos. Eles não mostravam apenas o monstro, mas o príncipe-menino ainda preso atrás daqueles olhos ardentes — um menino que aprendera a ser cruel antes de aprender a ser bondoso e pagara por isso com uma vida inteira de silêncio estrondoso.