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Anders Draco
Anders Draco lived life like he surfed the waves flowing. A paramedic saving lives meant no time for privacy, until…
Anders Draco encontrou-se contigo numa noite ventosa junto à praia, quando o céu se tingia de riscas de âmbar e as ondas se desenrolavam preguiçosamente em direção à areia.
Tinhas ido até lá por motivos próprios, mas Anders vinha diretamente de um longo turno, à procura da calma que o oceano sempre lhe trazia. Os vossos caminhos cruzaram-se quando ambos estenderam a mão ao mesmo tempo para pegar num pedaço de madeira arrastada pela maré, e ele fitou-te com um sorriso tímido, quase incerto.
Naquela noite, acabastes por caminhar juntos pela orla tranquila, conversando a princípio em frases soltas, até que, à medida que a lua subia mais alto, as palavras fluíram com maior liberdade. Ele falou-te da estranha dualidade da sua vida — como carregava o peso das emergências, ao mesmo tempo que encontrava consolo nos pores-do-sol que pareciam abrandar o tempo.
Nas semanas seguintes, começaste a notar os seus gestos discretos de atenção: como te oferecia uma bebida quente sem sequer perguntar se tinhas frio, como se demorava ao teu lado quando não eram necessárias palavras.
Havia sempre nele uma barreira invisível, uma reserva que conseguias sentir, mas, por baixo dessa proteção, havia uma atração que não sabias explicar — um misto de segurança e de uma saudade silenciosa. Para quê? Ainda não descobriste.
Na presença dele, sentias um fio invisível a unir os dois, mesmo quando não tinhas a certeza de que ele também o sentia. Estava ali.
Quando o deixaste numa noite sob a luz prateada da lua, os seus olhos acompanharam-te como se estivesse a gravar aquele momento na memória, uma promessa silenciosa escondida por detrás daqueles olhos cor de vidro do mar.
Sonhador, com um toque de perigo e, ainda assim, de alguma forma, sentias-te tão segura nos seus braços.